Elizabeth Caldeira Brito
Casa de Campo em Alhué - Chile. Fotografia de Elciene Spenciere
Quem sou eu
- Elizabeth Abreu Caldeira Brito
- Goiânia, Goiás, Brazil
- Elizabeth é Psicóloga, Professora de Educação Física e escritora. Sócia Titular-Cadeira 07 do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Membro da Academia de Letras do Brasil. Diretora Regional do InBrasCI - Instituto Brasilieiro de Culturas Internacionais. É Conselheira do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de Goiânia. 2ª vice-presidente da Comissão Goiana de Folclore-UNESCO. Obra: Dimensões do Viver, poesias - 2004; Quatro Poetas Goianos e um Pintor Francês, biografias - 2004; O Avesso das Horas & Outros - El reverso de Las Horas y Otros - L'Envers des Heures & Autres, Edição Trilingue, poesias - 2007.Traduções de Yvan Avena (para o idioma francês), Perpétua Flores e Ana Maria Patrone (para o idioma espanhol). A cultura plural de Bariani Ortencio (org) Kelps, 2009. A vinda da Família Real para o Brasil-200 anos (org.)Kelps, 2009. Permanências , artigos, Kelps/UCG -Goiânia 2009.Santuário da Cultura Universal, ensaios, Kelps - Goiânia, 2010. Amayáz, poesias, Kelps, 2012. Formação de Goiás Contemporâneo, (org) artigos. Kelps, 2013. FOTOGRAFIA DE MONIQUE AVENA
terça-feira, 5 de novembro de 2013
sábado, 19 de fevereiro de 2011
FOLIA DE REIS EM ALTA VISTA
Devido a sua procedência, a Folia de Malhador é conhecida por Folia dos Machado. A constituição do grupo remonta há mais de cinquenta anos. Originou-se na cidade mineira de Patos de Minas oriunda da família Machado. Veio para Goiás com o casal Vicente Machado e Isabel Gonçalves. Em 1961 o clã mudou-se para São Luiz de Montes Belos em Goiás. Nos anos de 1971 e 1972 residiu em Anápolis - Goiás. Em 1973 fixou residência em Malhador, município da turística cidade goiana, Pirenópolis. Atualmente cinco, dos dezoito irmãos Machado, são foliões, dentre os mais de trinta integrantes. Pessoas, das mais diversas áreas do conhecimento, carregam a bandeira do Divino com devoção, louvor e fé. Liderados pela caçula dos irmãos, Ana Vieira Machado, compõem o grupo os irmãos Altair, Hélio, José e Valdo (um dos embaixadores).
Originária de Portugal, a Folia de Reis, foi trazida pelos colonizadores portugueses ao Brasil. Contribuiu para a formação cultural do povo brasileiro. Constituiu e enriqueceu o folclore, a cultura, a fé e as tradições religiosas do nosso País. A história, contada em prosa, versos e cantos plangentes, retrata a visita dos Reis Magos, Gaspar, Melchior e Baltazar ao menino Jesus, por ocasião de seu nascimento. Diz a lenda que os Reis viajaram do Oriente a Belém para presentear o Deus Menino com ouro, incenso e mirra, símbolos das três dimensões do Messias: realeza, divindade e humanidade.
Idealizador, organizador e anfitrião do Encontro, Juarez Antônio de Sousa é médico. Formou-se na Universidade Federal de Goiás - UFG. Especializou-se em mastologista e ginecologista. Mestre e doutor pela Universidade Federal de São Paulo é Chefe do Serviço de Residência em Mastologia do Hospital Materno Infantil de Goiânia. Preceptor de Ginecologia da Residência em Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Materno Infantil de Goiânia. Mastologista do Hospital Santa Helena de Goiânia e da Clínica Citomed de Goiânia, onde é Diretor Técnico. Ex-presidente da Sociedade Goiana de Ginecologia e Obstetrícia e da Comissão Estadual de Residência Médica - Goiás. É professor na UFG. Preside a Sociedade Brasileira de Mastologia, regional Goiás.
Juarez Sousa dedica-se ainda à música e ao esporte. Toca vários instrumentos. Desportista, recebeu inúmeros troféus no tênis. Natural da cidade de Goianésia, herdou dos pais, José Antônio Sousa e Maria Serafim de Sousa, a devoção e o respeito às celebrações religiosas.
Além de Juarez Sousa e sua esposa Ana Lúcia Osório Maroclo de Sousa, também médica (dermatologista), quatro casais receberam a Folia de Malhador em suas confortáveis residências: Antônio Edson Félix de Souza, agricultor/agropecuarista e Maria Eunice Fonseca Félix de Souza, funcionária pública federal; Joaquim José Ribeiro, assessor parlamentar e Eneida Afonso Teixeira, do lar; Marco Antônio Accioli Costa e Silva, médico pediatra e artista plástico e Sueli Almeida da Costa e Silva, decoradora; Álvaro Catelan, professor e Cláudia Catelan, paisagista. O apogeu ocorreu na residência de Juarez Antônio e Ana Lúcia. Após a aclamação ao nascimento de Jesus, serviu-se farto almoço, com iguarias da tradicional comida goiana.
As casas vestiram-se de flores, cores e presépios. Petiscos, lanches e bebidas confraternizaram os presentes. A alegria, pela singular e nobre recepção, iluminou as faces foliãs. Dentre os inúmeros convidados: Sônia Ferreira, escritora e articulista do Diário da Manhã; Marinho, escritor e Shirley Rezende, professora; o casal Marconi Ferreira Perillo (pais de Marconi Perillo, governador de Goiás); Fausto Gomes, médico e Daniela Cristina Gomes, empresária;
O domingo, nove de janeiro, fez história. Horas de festejos, religiosidade e fraternidade abreviaram o tempo. Ao lusco-fusco do dia os Reis Magos iluminaram o caminho de volta pra casa.
Artigo publicado no jornal Diário da Manhã do dia 14 de janeiro de 2011
O NARCISISMO DAS PALAVRAS NA POÉTICA DE GETÚLIO TARGINO
O autor, no domínio da linguagem, faz malabares com as metáforas, os sons, os ritmos e as possíveis rimas no verso. Na prosa transcende a poesia, mesmo na ausência do poema. Plurais da existência, as palavras se envaidecem. Cônscias da beleza que emanam, iluminam o texto e se encantam por si mesmas. Presunçosas e narcisistas cantam, para a eternidade, melodiosas canções.
São vários autores que fascinam o léxico brasileiro herdado dos portugueses. Dentre eles destaca-se o autêntico diagramador das palavras nas pautas líricas do texto. O regente do canto no coro da escrita. Refiro-me ao poeta - escritor Getúlio Targino Lima.
Membro da Academia Goiana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, Getúlio Targino, pertence, dentre outras entidades, a Academia goiana de Direito, ao Instituto dos Advogados Brasileiros, a Academia Anapolina de Letras e a Academia Nacional Maçônica de Letras. Professor Titular da Universidade Federal de Goiás (UFG). Foi Diretor Geral e Professor fundador da Uni Anhanguera; Ex-Diretor e Professor fundador da Faculdade de Direito de Anápolis (integrante da Uni Evangélica). Ex-Ministro, Ministro Vice-Presidente e Ministro Presidente (3 mandatos consecutivos) do Supremo Tribunal de Justiça do Grande Oriente do Brasil; Ex-Consultor Temporário do Serviço de Desenvolvimento Cultural da Organização das Nações Unidas (ONU); Membro da União Neo Teosófica, núcleo de Goiânia. Foi Coordenador da Assessoria Especial do Governador do Estado de Goiás e do Ministério da Previdência Social. Ex-Chefe da Assessoria Geral da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Foi condecorado, dentre outros, com os títulos de Professor Emérito da UFG e Cidadão Honorário do Estado de Goiás.
Advogado, Procurador do Estado (aposentado), jornalista e conferencista, o poeta Getulio Targino publicou 14 livros, sete jurídicos e sete literários. Onze, inéditos, aguardam edição. Compositor e cantor, é autor de mais de cem canções sacras e populares. Gravou três CDs.
Arauto da linguagem escrita e oralizada, Targino nos brindou com A Palavra Poética.
A palavra poética/ pontifica,/ prioritariamente,/ como símbolo/ de si mesma,/ de seu eu,/ sua substância viva,/ embora/ traduza/ os contornos externos/ de algum objeto.
A palavra poética/ é formada/de sons,/ de luz,/ de cores/ e tons/ que brotam/ dela mesma/ e invadem/ o ambiente/ circundante.
A palavra poética/ que pretendemos/ presa no papel/ onde é grafada,/ sorri do poeta/ e da fragilidade/ de suas cadeias.
Pois mal/ a deitamos/ na folha/ ela,/ aparentemente inerme,/ na sua mortalha/ natural de riscos,/ deixa, na linha,/ apenas o volume/ falso/ de seu sentido/ emprestado.
E sai gritando/ verdades/ no infinito/ das almas./ E cantando/ melodias/ inacabadas/ e inacabáveis,/ porque eternas.
Quem tem olhos/ de ouvir,/ e ouvidos/ de ver/ toque/ e sinta.
Amém!
Ao finalizar as comunicações via e-mails, despeço-me enviando aos amigos um “abraço terno em ti”. O escritor Getulio Targino, surpreendeu-me com o poema, que tem como título minhas despedidas e mote textos que publiquei.
“Abraço Terno em Ti...”
Abraço terno em ti... Até parece/ Que estou sentindo, agora, com certeza,/ O frio e o calor, clamor e prece/ Presentes com seu peso de leveza.
É terno o teu abraço. Não se esquece/ Dele quem o recebe: fica presa/ Da verdade do bem que permanece/ Eternamente claro: luz acesa!
É algo permanente e mesmo assim/ O envias com carinho aos retirantes/ Desta vida, como eu, que agora vim
Para junto do céu, deixei o inferno/ Dos lampejos de enganos dos errantes./ É terno teu abraço. Sim... E eterno!
Abraço terno em ti!
Artigo publicado no jornal Diário da Manhã do dia 21 de janeiro de 2011
MONIQUE AVENA, CRONISTA FRANCESA DO COTIDIANO GOIANO

No dia 18 de setembro de 2008, publiquei no Diário da Manhã, o artigo “Avena, depois do mundo Goiás”. Nele enfatizei as atividades culturais do casal francês Yvan e Monique Avena. Neste abordo o encantamento por Goiânia dos dois pares de olhos franceses e suas repercussões. As belezas goianas inundaram os olhares e espraiaram-se coração adentro. Por isso o casal, de rastros universais, escolheu a cidade como reduto definitivo.
Yvan e Monique Avena residiram na França, Argentina, Suécia, Guiné Bissau e Guatemala antes de se aquietarem em Goiânia. Apaixonaram-se pelo chão goiano, pela gastronomia e o clima, pelas flores, praças e bosques de eterna primavera. E a cidade, mais arborizada do país, reduto de bucólicas ilhas, margeadas pelos transeuntes que trafegam esperanças no centro urbano da agitada metrópole, acolhe com afetos os forasteiros.
Monique nasceu em Paris. Estudou secretariado e Banco. Atuou na área de Serviço Exterior em um banco de renome. Exerceu cargos no Ministério das Relações Exteriores na Embaixada da França, da Suécia, da Guiné Bissau e da Guatemala. Nesta última, apaixonou-se pela arte e pelo artesanato, dedicou-se ao estudo da cultura Maia. Tornou-se uma das maiores colecionadoras de Huipilis (vestimentas sagradas dos povos Maias da Guatemala). As roupas identificam as etnias. Preservam com honra, o legado do povo Maia na Guatemala de hoje. Integra o indivíduo à família, à comunidades e ao universo em que está inserido.
O acervo de Monique, o maior da América Latina, devidamente classificado, reúne 360 peças. Ela organizou exposições com a embaixada da Guatemala, em Paris, na Suíça e na Suécia. Em 2006 expôs, parte de seu acervo, no Museu de Arte de Goiânia.
Monique Avena distribui ao mundo as belezas que capta. Criou um blog para disseminar seu encantamento. Um tributo à cidade e ao estado que os acolheram. No idioma francês, leva ao longe o cotidiano da capital do estado. Goiânia, a mais bela cidade do cerrado brasileiro, já foi vista por mais de seis mil internautas. Pessoas de 73 países visitaram o blog, http://goiania-voila-pourquoi.blogspot.com, dentre eles: Egito, Bélgica, Estados Unidos, Chile, Espanha, Itália, Malásia, México, Áustria, Colômbia, Marrocos, Portugal, Ucrânia, Arábia Saudita, China, Japão, Hong Kong, Uruguai, Honduras, Senegal, Peru, Venezuela, Tunísia, Senegal, Espanha, Finlândia, Croácia, Guiana Francesa, etc.
O blog registra especialmente os eventos culturais e os recantos goianienses. Mostra ao mundo, porque Monique e Yvan estão aqui. As fotografias, da própria Monique, ilustram as crônicas da vida cotidiana de Goiânia. Recentemente as páginas eletrônicas vestiram-se de permanência. Transformaram-se em livro. “Choniques de la vie quotidienne a Goiânia” registra, para a posteridade, as notícias do efêmero instante.
A primeira edição do livro contém informações postadas nos anos de 2007 a 2010. Sob o olhar e a perspicaz observação de Monique Avena, as atividades da balzaquiana capital metrópole, mais jovem do Brasil, vão se desenhando. Encadernada luxuosamente, a publicação foi encaminhada a vários países da Europa. Goiânia, sua cultura, seus ícones e logradouros se despem sob olhares atentos, nas páginas multicores do livro. Alcançam diversos povos de distantes plagas.
Tanto o blog quanto o livro, mostram o porquê dos Avena estarem aqui. Justificam a escolha da cidade para viverem todos os amanhãs de suas vidas.
Que sejam duradouras as manhãs goianas, a despertarem os nobres hóspedes da cidade. Suas presenças honram este chão e seu povo. A historiografia goiana guardará, para além da cal desses dias, seus vestígios de amizade, cultura e conhecimento.

Artigo publicado no jornal Diário da Manhã dos dias 06 e 07 de fevereiro de 2011
sábado, 17 de julho de 2010
PERPÉTUA FLÔRES, EJE CULTURAL GOIÁS, BRASIL & AMÉRICA LATINA
Comentário de Pèrpétua Flôres sobre artigo (logo abaixo) publicado no jornal Diário da Manhã em Goiânia - Goiás - Brasil
Publicado no blog da escritora em Buenos Aires - Argentina
La escritora Elizabeth Caldeira Brito, acostumbrada a la caricia de la palabra, a la música del papel, engarza ambas en un mini ensayo sobre nuestra actividad cultural en la Argentina.
Su talento y su corazón se unen y suman en esta, como en muchas oportunidades, para una página más de valorización de las letras en general. A ella nuestro agradecimiento que para ser más amplio unimos al Gracias el
Perpétua Flôres
Elizabeth Caldeira Brito Fotografia de Monique Avena
Perpétua Flôres publicó 29 libros. Cuatro en lengua portuguesa: Buscas-poemas – Porto Alegre, 1968; Curso de portugués – Textos y casettes para la BBC de Buenos Aires, 1981; Noche y día – En el centenario Abolviçaos dos Esclavos – poemas – Buenos Aires, 1988; A través de un Arco-iris de Lápiz de Cores – obra infanto-juvenil, poemas, Santos Angelo, 1990 y veinticinco una lengua española.
Al conocer la producción literaria del poeta Gabriel Nascente, el más reciente inmortal de la Academia Goiania de Letras, Perpétua Flôres describió cómo se sintió delante de la grandiosidad poética de Nascente: “…Que ventura certificar-me que o meu Brasil tem um Poeta tao inteiro, absoluto! A Antología é como uma aurora, no meu voluntário exílio. Sinto-me quase obrigada –a gosto- a dar-tes as graças por tomar-me também parte dos escolhidos herdeiros do teu “Inventário poético”. Começo, lentame a extasiar-me com tanta luz, como quem olha o sol de frente…” Sobre a poesia do escritor Aidenor Aires, escreveu: “…E um grande escritor, poesia precisa, medida, pensada e vivida. Com uma linguagem nova, própia: se nao fosse assim, a criaçao seria cópia, mas, depois de tantos e tantos poetas que o passado e o presente nos deu e nos dá, ter um estilo já é algo elogiável, é o sonho do escritor verdadeiro…”
Los que todavía conservan el romántico acto de oír radios, leer poesías y oír buena melodía saben que actualmente es posible, no sólo oír los programa radiofónicos sino verlos por internet “Dicho sea de paso” puede ser apreciado en el sitio www.am1010ondalatina.com.ar. Permítanse instantes de recogimiento espiritual en las artes literarias y música america latinenses.
Julio de 2010. Goiânia. Brasil
Traducción: Georgina
Publicado no blog da escritora em Buenos Aires - Argentina
La escritora Elizabeth Caldeira Brito, acostumbrada a la caricia de la palabra, a la música del papel, engarza ambas en un mini ensayo sobre nuestra actividad cultural en la Argentina.Su talento y su corazón se unen y suman en esta, como en muchas oportunidades, para una página más de valorización de las letras en general. A ella nuestro agradecimiento que para ser más amplio unimos al Gracias el
Muito Obrigada.
Perpétua Flôres
PERPÉTUA FLÔRES, EJE CULTURAL GOIÁS,BRASIL & AMÉRICA LATINA
Elizabeth Caldeira Brito Hace cuarenta años, Perpétua Flôres, escritora gaúcha de Santo Angelo, eligió Buenos Aires para residir su sensibilidad y creatividad literaria. Divulga la cultura brasileira en los rincones de los hermanos desde América, semanalmente en su programa de radio “Dicho sea de paso”. En él, divulga poéticamente, temas musicales y su repertorio de Música Popular Brasileira. De voz y timbres suaves, interpreta poemas de autores brasileiros, especialmente, gaúchos e goianos. Los de acá, descubrió por medio de nuestra amistad, su vínculo poético-afectivo. Tradujo para el español mi segundo libro de poemas, “O avesso das horas e outros”.
Perpétua Flôres publicó 29 libros. Cuatro en lengua portuguesa: Buscas-poemas – Porto Alegre, 1968; Curso de portugués – Textos y casettes para la BBC de Buenos Aires, 1981; Noche y día – En el centenario Abolviçaos dos Esclavos – poemas – Buenos Aires, 1988; A través de un Arco-iris de Lápiz de Cores – obra infanto-juvenil, poemas, Santos Angelo, 1990 y veinticinco una lengua española.
Al conocer la producción literaria del poeta Gabriel Nascente, el más reciente inmortal de la Academia Goiania de Letras, Perpétua Flôres describió cómo se sintió delante de la grandiosidad poética de Nascente: “…Que ventura certificar-me que o meu Brasil tem um Poeta tao inteiro, absoluto! A Antología é como uma aurora, no meu voluntário exílio. Sinto-me quase obrigada –a gosto- a dar-tes as graças por tomar-me também parte dos escolhidos herdeiros do teu “Inventário poético”. Começo, lentame a extasiar-me com tanta luz, como quem olha o sol de frente…” Sobre a poesia do escritor Aidenor Aires, escreveu: “…E um grande escritor, poesia precisa, medida, pensada e vivida. Com uma linguagem nova, própia: se nao fosse assim, a criaçao seria cópia, mas, depois de tantos e tantos poetas que o passado e o presente nos deu e nos dá, ter um estilo já é algo elogiável, é o sonho do escritor verdadeiro…”
Los que todavía conservan el romántico acto de oír radios, leer poesías y oír buena melodía saben que actualmente es posible, no sólo oír los programa radiofónicos sino verlos por internet “Dicho sea de paso” puede ser apreciado en el sitio www.am1010ondalatina.com.ar. Permítanse instantes de recogimiento espiritual en las artes literarias y música america latinenses.
Julio de 2010. Goiânia. Brasil
Traducción: Georgina
segunda-feira, 5 de julho de 2010
PERPÉTUA FLORES, ELO CULTURAL GOIÁS & AMÉRICA LATINA
Elizabeth Caldeira Brito

Há quarenta anos, Perpétua Flores, escritora gaúcha de Santo Ângelo, escolheu Buenos Aires para residirem sua sensibilidade e criatividade literária. Viúva do renomado historiador e escritor argentino, Arturo Berenguer Carisomo, sempre dedicou sua vida às artes. Divulga a cultura brasileira nos rincões dos irmãos desta América, semanalmente no programa de rádio “Dicho sea de paso”. Nele, divaga poeticamente, sob temas musicais do repertório da Música Popular Brasileira. De voz e timbre suaves, interpreta poemas de autores brasileiros, especialmente, gaúchos e goianos. Os daqui, ela “descobriu” por meio de nossa amizade, sob vínculo poético-afetivo. Traduziu para o espanhol meu segundo livro de poemas, “O avesso das horas e outros”.
Perpétua Flores publicou 29 livros. Quatro em língua portuguesa: Buscas - poemas - Porto Alegre, 1968; Curso de português - Textos y cassettes para la BBC de Buenos Aires, 1981; Noite e dia – En el centenario de Absolviçâo dos Escravos - poemas – Buenos Aires, 1988; Através de um Arco-iris de Lápis de Cores – obra infanto-juvenil, poemas, Santo Angelo, 1990 e vinte e cinco em língua espanhola.
Do amanhecer ao anoitecer, Perpétua Flores alonga seu tempo: é co-diretora da revista “Antologia”, de Buenos Aires; produtora e diretora da revista “Presencia”, desde 1983; colabora com páginas literárias dominicais, de Pregón, de San Salvador de Jujuy; entrevistas com personagens notáveis: Jorge Luis Borges, Juan Oscar Ponferrada, Pedro Raola, Jorge Amado, Carlos Basurto, Rodolfo Graciano, Alejandro Storni, Bruno Versacci, Enrique de Gandia, Libertad Lamarque, Sebastián Piana, Roberto Castiglione, René Favaloro, etc. É diretora da “Sala de Actos Culturales Arturo Berenguer Carisomo”; revisora dos Dicionários Português-Espanhol y Espanhol-Português, Editora Marymar e empresta seu nome à “Medalha Perpétua Flores”, distinção que a Casa do Poeta Riograndense outorga a personalidades argentinas que se destacam nas artes.
Ao conhecer a produção literária do poeta Gabriel Nascente, o mais recente imortal da Academia Goiana de Letras, Perpétua Flores descreveu como se sentiu diante da grandiosidade poética de Nascente: “... Que ventura certificar-me que o meu Brasil tem um Poeta tão inteiro, absoluto! A Antologia é como uma aurora, no meu voluntário exílio. Sinto-me quase obrigada - a gosto- a dar-te as graças por tornar-me também parte dos escolhidos herdeiros do teu “Inventário poético”. Começo, lentamente, a extasiar-me com tanta luz, como quem olha o sol de frente...” Sobre a poesia do escritor Aidenor Aires, escreveu: “... É um grande escritor, poesia precisa, medida, pensada e vivida. Com uma linguagem nova, própria: se não fosse assim, a criação seria cópia, mas, depois de tantos e tantos poetas que o passado e o presente nos deu e nos dá, ter um estilo já é algo elogiável, é o sonho do escritor verdadeiro...”
Os que ainda conservam o romântico ato de ouvir rádios a divagar poesias e belas melodias sabem que atualmente é possível, não só ouvir os programas radiofônicos, mas, vê-los pela internet. “Dicho sea de paso” pode ser apreciado pela Onda Latina no site: www.am1010ondalatina.com.ar, terças-feiras, às 18h. Permitam-se instantes de enlevo nas artes literária e musical america latinenses.
Namastê.

Há quarenta anos, Perpétua Flores, escritora gaúcha de Santo Ângelo, escolheu Buenos Aires para residirem sua sensibilidade e criatividade literária. Viúva do renomado historiador e escritor argentino, Arturo Berenguer Carisomo, sempre dedicou sua vida às artes. Divulga a cultura brasileira nos rincões dos irmãos desta América, semanalmente no programa de rádio “Dicho sea de paso”. Nele, divaga poeticamente, sob temas musicais do repertório da Música Popular Brasileira. De voz e timbre suaves, interpreta poemas de autores brasileiros, especialmente, gaúchos e goianos. Os daqui, ela “descobriu” por meio de nossa amizade, sob vínculo poético-afetivo. Traduziu para o espanhol meu segundo livro de poemas, “O avesso das horas e outros”.
Perpétua Flores publicou 29 livros. Quatro em língua portuguesa: Buscas - poemas - Porto Alegre, 1968; Curso de português - Textos y cassettes para la BBC de Buenos Aires, 1981; Noite e dia – En el centenario de Absolviçâo dos Escravos - poemas – Buenos Aires, 1988; Através de um Arco-iris de Lápis de Cores – obra infanto-juvenil, poemas, Santo Angelo, 1990 e vinte e cinco em língua espanhola.
Do amanhecer ao anoitecer, Perpétua Flores alonga seu tempo: é co-diretora da revista “Antologia”, de Buenos Aires; produtora e diretora da revista “Presencia”, desde 1983; colabora com páginas literárias dominicais, de Pregón, de San Salvador de Jujuy; entrevistas com personagens notáveis: Jorge Luis Borges, Juan Oscar Ponferrada, Pedro Raola, Jorge Amado, Carlos Basurto, Rodolfo Graciano, Alejandro Storni, Bruno Versacci, Enrique de Gandia, Libertad Lamarque, Sebastián Piana, Roberto Castiglione, René Favaloro, etc. É diretora da “Sala de Actos Culturales Arturo Berenguer Carisomo”; revisora dos Dicionários Português-Espanhol y Espanhol-Português, Editora Marymar e empresta seu nome à “Medalha Perpétua Flores”, distinção que a Casa do Poeta Riograndense outorga a personalidades argentinas que se destacam nas artes.
Ao conhecer a produção literária do poeta Gabriel Nascente, o mais recente imortal da Academia Goiana de Letras, Perpétua Flores descreveu como se sentiu diante da grandiosidade poética de Nascente: “... Que ventura certificar-me que o meu Brasil tem um Poeta tão inteiro, absoluto! A Antologia é como uma aurora, no meu voluntário exílio. Sinto-me quase obrigada - a gosto- a dar-te as graças por tornar-me também parte dos escolhidos herdeiros do teu “Inventário poético”. Começo, lentamente, a extasiar-me com tanta luz, como quem olha o sol de frente...” Sobre a poesia do escritor Aidenor Aires, escreveu: “... É um grande escritor, poesia precisa, medida, pensada e vivida. Com uma linguagem nova, própria: se não fosse assim, a criação seria cópia, mas, depois de tantos e tantos poetas que o passado e o presente nos deu e nos dá, ter um estilo já é algo elogiável, é o sonho do escritor verdadeiro...”
Os que ainda conservam o romântico ato de ouvir rádios a divagar poesias e belas melodias sabem que atualmente é possível, não só ouvir os programas radiofônicos, mas, vê-los pela internet. “Dicho sea de paso” pode ser apreciado pela Onda Latina no site: www.am1010ondalatina.com.ar, terças-feiras, às 18h. Permitam-se instantes de enlevo nas artes literária e musical america latinenses.
Namastê.
A INFÂNCIA POÉTICA DE FERNANDO PESSOA E NEY TELES DE PAULA
Fotos: Fernando Pessoa e Ney Teles de Paula


Elizabeth Caldeira Brito
Fernando Pessoa considerado o principal representante da poesia moderna, um dos maiores poetas de todos os tempos e o escritor mais complexo e versátil da literatura portuguesa, apresentava enorme facilidade de “outrar-se”, isto é, assumir diferentes personalidades para compor seus personagens-poetas. Ele assinava suas obras de acordo com os heterônimos que construía. Eis alguns: Alberto Caiero, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, etc. Cada um possuía características próprias de personalidade.
Seus heterônimos possuem biografias distintas e produção poética de acordo com as especificidades de suas identidades, traduzindo assim outras vozes de sua mente criativa, heterogênea e plural. Ele, o próprio, produz textos líricos, angustiados, melancólicos e transcendentes; Alberto Caiero mostra-se com simplicidade, humildade e rudeza; Ricardo Reis é clássico, abstrato e conciso e Álvaro Campos é um entusiástico, sensacionalista e de extrema modernidade.
Fernando Pessoa (por Alberto Caiero) escreveu uma série de três magníficos poemas A Criança que Fui Chora na Estrada I, II e III. O tema baseia-se no fantástico mundo da infância e na criança que FP foi um dia; na nostalgia deste ser perdido no tempo e na angústia existencial desta perda, entre outros sentimentos.
O I é um soneto decassílabo (dez sílabas métricas) que inicia assim:
“A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser o que sou,
mas hoje, percebendo que o que sou é nada,
quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah! Como hei de encontrá-lo? Quem errou
a vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada”...
O II é também um soneto (duas estrofes de 4 versos e duas de 3 versos) decassílabo:
“Dia a dia mudamos para quem
amanhã não veremos. Hora a hora
nosso diverso e sucessivo alguém
desce uma vasta escadaria agora.
E uma multidão que desce, sem que
um saiba de outros. Vejo-os meus e fora.
Ah, que horrorosa semelhança têm!
São um múltiplo mesmo que se ignora...
Olho-os. Nenhum sou eu, a todos sendo.
E a multidão engrossa, alheia a ver-me,
sem que eu perceba de onde vai crescendo.
Sinto-os a todos dentro em mim mover-me,
e, inúmero, prolixo, vou descendo
até passar por todos e perder-me.”
E o III:
“Meu Deus! Meu Deus! Quem sou, que desconheço
o que sinto que sou? Quem quero ser
mora, distante, onde meu ser esqueço,
parte, remoto, para me não ter.”
Identificando-me com a insatisfação poética de Fernando Pessoa na perda da criança de sua infância escrevi, também em decassílabo:
Era Feliz e Não Sabia
Quando pequena queria ser outra.
Sendo eu mesma me sentia ninguém.
Cresci, evolui, mas virei ostra.
Buscando em mim, outrora, aquele alguém.
O escritor Ney Teles de Paula, diferentemente de Fernando Pessoa não se esqueceu no tempo e nem no menino de sua infância. Buscou a criança em sua mocidade e trouxe-a até aqui. Surgiu assim o poeta menino de outrora, no adulto escritor imortal de agora.
Depois de publicar quatro livros em prosa, trás a lume o Memorial do Efêmero. Um livro de ternas poesias que foi buscar no menino de ontem que veio com ele até aqui, em contraposição a Fernando Pessoa, que numa linguagem poética, singular e bela, perdeu-se na infância.
No Breviário do Menino - apresentação do livro - Ney Teles de Paula inicia descrevendo seus mistérios com relação à vida, à morte e sua incessante procura pela origem das coisas. Afirma que desde cedo “mergulhou na lucidez”, buscando a sua origem e a compreensão da magnitude do universo e da presença humana no cosmo, sem contudo, perder o “encantamento com a magia do silêncio”. E aquele menino, além de seu tempo e no registro dos dias, “procurava espreitar o mundo com ávida curiosidade.”
A criança de Memorial do Efêmero encantou-se pelas letras e leituras da vida, pelos caminhos humanos e pelo fugaz tempo da brevidade das coisas. Sabia, desde então, a importância do silêncio e da solidão no encontro consigo mesmo, com o universo, e na reflexão para o autoconhecimento e para a convivência harmoniosa entre os seres. Silêncio e solidão, vozes que compõem sua poesia, estão presentes em cada palavra da infância e da adolescência daquele menino.
O escritor Fausto Rodrigues Valle pontua a poesia de Ney Teles de Paula na composição do autor de hoje: “O menino que queria abarcar o mundo, cujas mãos espalmavam a angústia e os braços distendiam a esperança, enquanto o tempo passava e ele ‘hauria a força da vida’, ainda existe – pois a sensibilidade mostrada nos versos só poderá ser vivida por quem ainda tem esperança, embora pejada de dúvidas, dado a efemeridade de todas as coisas...”
Ney Teles de Paula se reconhece no poeta menino que resgata. Apresenta-nos em leitura sem retoques, sua reflexão sobre os arcanos e o simbolismo da infância revisitada. Apesar das grandes perdas no trajeto, racionalizou a vida. E, de volta ao futuro, senhor do saber, da sensibilidade e de ser, nos mostra a integração do menino de ontem ao adulto do aqui e agora.
Namastê.


Elizabeth Caldeira Brito
Fernando Pessoa considerado o principal representante da poesia moderna, um dos maiores poetas de todos os tempos e o escritor mais complexo e versátil da literatura portuguesa, apresentava enorme facilidade de “outrar-se”, isto é, assumir diferentes personalidades para compor seus personagens-poetas. Ele assinava suas obras de acordo com os heterônimos que construía. Eis alguns: Alberto Caiero, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, etc. Cada um possuía características próprias de personalidade.
Seus heterônimos possuem biografias distintas e produção poética de acordo com as especificidades de suas identidades, traduzindo assim outras vozes de sua mente criativa, heterogênea e plural. Ele, o próprio, produz textos líricos, angustiados, melancólicos e transcendentes; Alberto Caiero mostra-se com simplicidade, humildade e rudeza; Ricardo Reis é clássico, abstrato e conciso e Álvaro Campos é um entusiástico, sensacionalista e de extrema modernidade.
Fernando Pessoa (por Alberto Caiero) escreveu uma série de três magníficos poemas A Criança que Fui Chora na Estrada I, II e III. O tema baseia-se no fantástico mundo da infância e na criança que FP foi um dia; na nostalgia deste ser perdido no tempo e na angústia existencial desta perda, entre outros sentimentos.
O I é um soneto decassílabo (dez sílabas métricas) que inicia assim:
“A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser o que sou,
mas hoje, percebendo que o que sou é nada,
quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah! Como hei de encontrá-lo? Quem errou
a vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada”...
O II é também um soneto (duas estrofes de 4 versos e duas de 3 versos) decassílabo:
“Dia a dia mudamos para quem
amanhã não veremos. Hora a hora
nosso diverso e sucessivo alguém
desce uma vasta escadaria agora.
E uma multidão que desce, sem que
um saiba de outros. Vejo-os meus e fora.
Ah, que horrorosa semelhança têm!
São um múltiplo mesmo que se ignora...
Olho-os. Nenhum sou eu, a todos sendo.
E a multidão engrossa, alheia a ver-me,
sem que eu perceba de onde vai crescendo.
Sinto-os a todos dentro em mim mover-me,
e, inúmero, prolixo, vou descendo
até passar por todos e perder-me.”
E o III:
“Meu Deus! Meu Deus! Quem sou, que desconheço
o que sinto que sou? Quem quero ser
mora, distante, onde meu ser esqueço,
parte, remoto, para me não ter.”
Identificando-me com a insatisfação poética de Fernando Pessoa na perda da criança de sua infância escrevi, também em decassílabo:
Era Feliz e Não Sabia
Quando pequena queria ser outra.
Sendo eu mesma me sentia ninguém.
Cresci, evolui, mas virei ostra.
Buscando em mim, outrora, aquele alguém.
O escritor Ney Teles de Paula, diferentemente de Fernando Pessoa não se esqueceu no tempo e nem no menino de sua infância. Buscou a criança em sua mocidade e trouxe-a até aqui. Surgiu assim o poeta menino de outrora, no adulto escritor imortal de agora.
Depois de publicar quatro livros em prosa, trás a lume o Memorial do Efêmero. Um livro de ternas poesias que foi buscar no menino de ontem que veio com ele até aqui, em contraposição a Fernando Pessoa, que numa linguagem poética, singular e bela, perdeu-se na infância.
No Breviário do Menino - apresentação do livro - Ney Teles de Paula inicia descrevendo seus mistérios com relação à vida, à morte e sua incessante procura pela origem das coisas. Afirma que desde cedo “mergulhou na lucidez”, buscando a sua origem e a compreensão da magnitude do universo e da presença humana no cosmo, sem contudo, perder o “encantamento com a magia do silêncio”. E aquele menino, além de seu tempo e no registro dos dias, “procurava espreitar o mundo com ávida curiosidade.”
A criança de Memorial do Efêmero encantou-se pelas letras e leituras da vida, pelos caminhos humanos e pelo fugaz tempo da brevidade das coisas. Sabia, desde então, a importância do silêncio e da solidão no encontro consigo mesmo, com o universo, e na reflexão para o autoconhecimento e para a convivência harmoniosa entre os seres. Silêncio e solidão, vozes que compõem sua poesia, estão presentes em cada palavra da infância e da adolescência daquele menino.
O escritor Fausto Rodrigues Valle pontua a poesia de Ney Teles de Paula na composição do autor de hoje: “O menino que queria abarcar o mundo, cujas mãos espalmavam a angústia e os braços distendiam a esperança, enquanto o tempo passava e ele ‘hauria a força da vida’, ainda existe – pois a sensibilidade mostrada nos versos só poderá ser vivida por quem ainda tem esperança, embora pejada de dúvidas, dado a efemeridade de todas as coisas...”
Ney Teles de Paula se reconhece no poeta menino que resgata. Apresenta-nos em leitura sem retoques, sua reflexão sobre os arcanos e o simbolismo da infância revisitada. Apesar das grandes perdas no trajeto, racionalizou a vida. E, de volta ao futuro, senhor do saber, da sensibilidade e de ser, nos mostra a integração do menino de ontem ao adulto do aqui e agora.
Namastê.
sábado, 3 de julho de 2010
A CULTURA BARIANINA NO PALÁCIO DAS ESMERALDAS


Elizabeth Caldeira Brito
O Palácio das Esmeraldas guarda lembranças secretas e públicas, de fatos e ações ligados à política, à cultura e à sociedade goianas. Sua construção iniciou-se logo após o Lançamento da Pedra Fundamental de Goiânia, em outubro de 1933, pelo Interventor Pedro Ludovico Teixeira.
Influenciaram o projeto arquitetônico, os estilos art déco e art nouveau, características das construções pioneiras da nova capital do Estado. O Palácio reserva, em cada canto, uma surpresa. Seu nome, Esmeraldas, justifica-se pelas paredes externas, originalmente, revestidas com pó de pedra verde, em massa colorida preparada com material fosforescente. Tempos depois, ao serem restauradas, revestiram-nas de pequenos pedaços de vidros verdes. O jardim interno lembra paisagens renascentistas e preserva, ainda hoje, jabuticabeiras plantadas por Dona Gercina Borges, Primeira Dama daqueles momentos.
Conrado Sorgenitch, à época, ícone nacionalno trabalho com jato de areia artístico, foi o responsável pelas reproduções históricas que compõem suas portas. Com imagens de bandeirantes, índios, fauna e flora do cerrado e aspectos da agropecuária goiana, traduz nossa cultura e a história de nossos ancestrais.
Governadores de todos os mandatos hospedaram-se em seus aposentos, cenários dos principais eventos políticos, sociais e culturais daquele tempo e da atualidade. Seus espaldares sombrearam visitas ilustres, daqui e de além-fronteiras. Desde sua primeira festa, a de inauguração, no último dia do mês de julho de 1937, o Palácio resguarda memórias dos belos bailes de outrora, dos bucólicos saraus noturnos, das grandes decisões políticas, das comemorações e dos momentos de tensão e ansiedade.
O Salão Dona Gercina compartilha com a sociedade, memórias históricas de grandes encontros. E mais um se somará a elas. Neste dia 26, segunda-feira, o salão testemunhará o lançamento dos livros “Dicionário do Brasil Central”, de Bariani Ortencio, e “A cultura plural de Bariani Ortencio. Vida e obra”, organizado por esta articulista, juntamente com o fotógrafo cultural e ambiental, Nelson Santos, com os auspícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia e apoio da Cia Parking.
“A cultura plural de Bariani Ortencio”, livro apresentado aos goianos, por ocasião da II Bienal do Livro de Goiás, no último mês de abril, reúne ensaios, depoimentos, poesias, lugares e fatos ligados à trajetória do homenageado, sob o olhar de quarenta autores, representantes das letras goianas. Os textos, como retalhos multicoloridos numa colcha, compõem o mosaico da vida e obra do Mestre Bariani. Independentes, completam-se, na singular visão de escritores que nasceram ou viveram parte de suas vidas em Goiás. Aliadas aos textos, oitenta fotos registram diferentes fases, atuações e personagens importantes na vida e na cultura plural Barianina. Em rica apresentação, o designer gráfico Dionatan Oliveira, da Editora Kelps, diagramou um belo livro. Na capa, 1ª página e em muitas outras, estão o retrato em bico de pena, de Bariani, executado por Amaury Menezes.
De Bariani Ortencio, o “Dicionário do Brasil Central”, 2ª edição, é o resultado de mais de trinta anos de pesquisas e catalogação de vocabulários específicos do centro do Brasil, áreas de cultura abrangente, que englobam o Triângulo Mineiro, o oeste da Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Tocantins e Goiás. “À maneira de um garimpeiro, Bariani acumulou considerável acervo de publicações sobre a região, além de milhares de recortes de periódicos...”, palavras do editor do Instituto Casa Brasil de Cultura, professor Wolney Unes, na apresentação da obra.
O Dicionário de Bariani não se encerra na busca e no encontro do significado da palavra. Vai além! É uma obra destinada a leituras e pesquisas. Traz a lume especificidades da região central do País que, possuidora de rica cultura, anseia por descobertas, preservação e disseminação, para que o respeito merecido seja alcançado. A publicação aborda: lendas, danças, folguedos e folclore. Dá ênfase não só aos sinônimos e expressões idiomáticas, mas, também, aos jargões típicos de cada lugar e, ainda, à pecuária, agricultura e ao garimpo, além de ressaltar a culinária, as frutas e os animais em seu habitat natural.
Por tudo isto, e pelo encontro com a cultura palaciana, valerão a pena os momentos que partilharemos nesta segunda-feira, às 20 horas, no Palácio dos sonhos... o das Esmeraldas.
Namastê.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
RETIRANTE

Ao poeta Aidenor Aires
Elizabeth Caldeira Brito
A cidade vazia
metrópole fria,
soluça a ausência
do menino amado.
Debandando a fome,
no sacolejo dos dias,
buscou outro rumo.
Buscou outro estado.
Na cidade aporta.
Medrando em labuta,
em rol de palavras,
é lesto adotado.
E àquela que um dia,
foi berço esquecido,
agora, em alforria,
retorna em vitória.
A cidade vazia
especa, aguarda
o retorno de seu
menino de glória.
ALCIONE GUIMARÃES, ESCULTORA DE TELAS E VERSOS

Fotos: Alcione Guimarães e Parque zoológico de Goiânia

Elizabeth Caldeira Brito
Dentre as várias formas de comunicação artística, Alcione Guimarães identificou-se inicialmente com as artes plásticas. Após concluir o curso de Direito, na Universidade Católica de Goiás, dedicou-se à pintura. Fez curso livre desta técnica e de desenho na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Goiás. Aprendeu com os mestres Frei Nazareno Confaloni, DJ Oliveira e o ídolo de muitos, Amaury Menezes. Aprimorou com DJ Oliveira sua visão de arte. Há muito optou pela carreira de pintora. Recebeu várias premiações em concursos, salões e bienais. Dentre as exposições individuais, merece destaque a realizada na Fundação Nacional de Arte – Funarte – SP.
Mas aqui, a proposta é abordar outro pedaço, outra voz de sua vida ávida por extrapolar os limites do dizível: o seu fazer poético. A poetisa chega inesperadamente. Vem expor os sentimentos que transcendem palavras, recurso limitado que utilizamos. Chega, como quem vem para ficar: com leveza e fluidez, tal qual um suave vento, no lusco-fusco de uma outonal tarde goiana. Comunica-se em dupla linguagem artística: a poética e os quadros-poemas, como denomina suas pinturas no livro de estreia - Zuarte. Surpreende-nos com líricos e consistentes poemas, esculpidos em sintonia com as telas. Precedendo as pinturas, invadem-nos, dos olhos à alma, em múltiplos estímulos:
IV
“Olha uma tênue luz
se abisma através da vidraça
como um anjo etéreo.
Sobre a mesa,
duas laranjas
breves e solenes,
vermelhas e serenas.
E esse silêncio –
denso rememorar
de ácidos e doces
sentimentos secretos.”
O poeta Rainer Rilke afirma que, para se produzir uma obra de arte, é necessário ensimesmar-se e examinar as profundidades de onde jorra a vida; na fonte desta é que o escritor encontrará a resposta à questão de saber se deve ou não produzir sua literatura. Alcione mergulha e, ao emergir de seu molde, figura plural e singela, arranca e extrai a vida. Traduz urdiduras vividas. Expõe, para a eternidade, efêmeros diálogos da existência humana, em variedade de riquezas metafóricas e místicas reflexões:
VII
“No enlevo do enredo
ao desvelo da trama
novelo.
Na linha
da vida,
na lida
das mãos,
repasso meus sonhos.
Do fio à urdidura,
caminho meu rumo.
Só Deus sabe.”
Paul Klee pondera: “não cabe ao artista reproduzir o visível, mas tornar visível o que ainda não é”. Ao se expressar, Alcione Guimarães assusta intimidades e assume, com a pintura e a poesia, a responsabilidade de tornar visível o que ainda não o é. Gestora do verso e da tela, repercute inquietações que a habitam, comuns ao mundo que a cerca. Surge assim uma nova e melodiosa voz, para o alcance do objetivo original da arte: expressar o espírito humano, neste nosso nem sempre bem habitado planeta poético.
Namastê.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
ELIFAS, O ARTESÃO DA ESPERANÇA

Elizabeth Caldeira Brito.
Da argila à vida. E dela o movimento intrínseco do viver, no pulsar do ventre que prepara o amanhã. Seios fartos de néctar e auréolas de sensualidade. Fêmeas desditosas, dominadas pelo homem e pela miséria. Sem gosto ou vontade. São assim as musas de Elifas Modesto. Mulheres grávidas, de mãos ausentes. Nada possuem. Aguardam, para sempre, no revelar dos olhos de espera, de fuga e de busca, um amanhecer que lhes amenizem a dor de existir.
Elifas transcende palavra, gesto, imagem e olhar. Transcreve, em linguagem singular, a figura feminina. Surgida do barro, do bruto solo da realidade, para o universo do desencanto e da indiferença. Imagens colhidas na força da sobrevivência, do vir a ser e do sentimento. Dos autômatos êxodos para a periferia da vida. São personagens que refletem, na tradução do artista, o significado da condição humana: a miséria, a grandeza, a infinita e efêmera existência. Mães prenhas, de vestes rotas, que acreditam em mudanças. Mas legam, aos filhos, a herança de sua trágica história.
Seu reduto, lugar paradisíaco, santuário da arte: reside, cria e expõe. De sua casa-atelier, surgem peças para o mundo. Obras que decoram e valorizam residências, quintais, escritórios, consultórios e logradouros públicos, nos estados do Brasil e além-mar. Peças que comunicam, no silencioso canto, a solidão e a esperança em um mundo melhor.
Elifas é simples. De fala comedida. Como a se desculpar por existir, pediu espaço. E conquistou, com seu talento e vontade, disposição e originalidade na seleção e linguagem de seus temas. Além da figura feminina, que espera a vida, de suas mãos criadoras, surgem São Franciscos sublimes, com seus animais-irmãos sagrados e ainda a mulher perfeita, de beleza brasileira inigualável. Vulto arquetípico de seu ideal imaginário.
Domina a comunicação na arte de esculpir e pintar. Suas telas, de cores vibrantes e movimentos dinâmicos, impõem-se em místicos olhares ou em sedutoras figuras humanas, de volúpia, libido e prazer.
Elifas é Modesto, mas não é modesta sua arte de plurissignificados. Seu nome e sua obra estão inscritos na história da arte em Goiás e inseridos no rol dos grandes artistas do nosso Estado.
Namastê.
terça-feira, 29 de junho de 2010
A FUGA DE SER SÓ
Tela de Di Magalhães

Elizabeth Caldeira Brito
Viver tem dessas coisas: ganha-se vida, perdem-se amores. Aos noventa anos de idade, com disposição e vontade de sobrevida, viu em pouco tempo, ausentarem-se presenças queridas. A primeira foi Maria. Esposa de mais de cinquenta anos de lutas, provações, conquistas e abundâncias. Em seguida, o neto, o belo jovem Kleber Caldeira Borges. Depois, a filha caçula, Doralice, companheira de todos os momentos. Por último, a irmã, Celina. Os cuidados entre ambos foram mútuos. Ela abdicou da própria vida para servir e atender o irmão, a cunhada e os sobrinhos. Destes cuidou como filhos. Perdas recentes, estas; outras tantas, no decorrer de suas nove décadas.
Morador de Rio Verde – Goiás, há mais de sessenta anos, o Sargento Lucas de Abreu Caldeira, jamais se imaginou em outro endereço. Até que um dia deixou a solidão das lembranças, o aconchego dos filhos, netos e bisnetos e Veio para Goiânia habitar novos olhares, dividindo o confortável espaço com Norcília, Rodrigo e Roberto: filha, genro e neto, respectivamente. Sem abrir mão da cadelinha de estimação, a mixirica, condição sine qua non para habitar o novo lar.
Valdeci Soares da Silva, sua Elza Viana Caldeira Soares, sobrinhos, fizeram-se anfitriões. Ofereceram, ao novo hóspede da goianidade fraterna, recepção festiva. Com o apoio de Delza e dos pais Jary e Catarina, vestiram de festa o Quiosque. Os músicos Elizabeth e Damião, Montenegro e Donizete, Marcus D’Lucca e Esquerdinho conferiram, ao concorrido momento, ritmo, harmonia, descontração e alegria. E sob as sombras do bucólico Quiosque, das árvores do pomar de cores e da brisa da tarde, que reverenciava o horizonte com o pôr do sol de fevereiro, homenagearam Lucas. Festejaram sua vida, a grata satisfação de tê-lo por perto e de vê-lo campear felicidade. Aplaudiram, no encontro de aconchego, sua determinação e otimismo na fuga de ser só. Apesar dos noventa.
Namastê

Elizabeth Caldeira Brito
Viver tem dessas coisas: ganha-se vida, perdem-se amores. Aos noventa anos de idade, com disposição e vontade de sobrevida, viu em pouco tempo, ausentarem-se presenças queridas. A primeira foi Maria. Esposa de mais de cinquenta anos de lutas, provações, conquistas e abundâncias. Em seguida, o neto, o belo jovem Kleber Caldeira Borges. Depois, a filha caçula, Doralice, companheira de todos os momentos. Por último, a irmã, Celina. Os cuidados entre ambos foram mútuos. Ela abdicou da própria vida para servir e atender o irmão, a cunhada e os sobrinhos. Destes cuidou como filhos. Perdas recentes, estas; outras tantas, no decorrer de suas nove décadas.
Morador de Rio Verde – Goiás, há mais de sessenta anos, o Sargento Lucas de Abreu Caldeira, jamais se imaginou em outro endereço. Até que um dia deixou a solidão das lembranças, o aconchego dos filhos, netos e bisnetos e Veio para Goiânia habitar novos olhares, dividindo o confortável espaço com Norcília, Rodrigo e Roberto: filha, genro e neto, respectivamente. Sem abrir mão da cadelinha de estimação, a mixirica, condição sine qua non para habitar o novo lar.
Valdeci Soares da Silva, sua Elza Viana Caldeira Soares, sobrinhos, fizeram-se anfitriões. Ofereceram, ao novo hóspede da goianidade fraterna, recepção festiva. Com o apoio de Delza e dos pais Jary e Catarina, vestiram de festa o Quiosque. Os músicos Elizabeth e Damião, Montenegro e Donizete, Marcus D’Lucca e Esquerdinho conferiram, ao concorrido momento, ritmo, harmonia, descontração e alegria. E sob as sombras do bucólico Quiosque, das árvores do pomar de cores e da brisa da tarde, que reverenciava o horizonte com o pôr do sol de fevereiro, homenagearam Lucas. Festejaram sua vida, a grata satisfação de tê-lo por perto e de vê-lo campear felicidade. Aplaudiram, no encontro de aconchego, sua determinação e otimismo na fuga de ser só. Apesar dos noventa.
Namastê
CENTRO LIVRE DE ARTES DESCOBRINDO E DESENVOLVENDO TALENTOS
Fotos: internet


Elizabeth Caldeira Brito
Todo ser humano tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes..., diz o Artigo XXVII da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A Secretaria Municipal de Cultura desenvolve cronograma de projetos fundamentais que alavancam a cultura goianiense. Nas palavras do escritor Ubirajara Galli, articulista deste jornal, Ela é a Secretaria mais dinâmica do País. Atende ao direito assegurado na Declaração Universal, e democratiza o acesso da comunidade à vida cultural.
O nome Centro Livre de Artes, segmento da Secretaria Municipal de Cultura, foi idealizado pela saudosa escritora Marietta Telles Machado, em 1988, quando assessora de cultura da então Secretaria de Cultura, Esporte, Turismo e Meio Ambiente. O CLA é espaço aberto à inclusão, à cultura, à arte e ao conhecimento.
Criado em 04 de setembro de 1975, pelo prefeito Francisco de Castro, com o nome Escola Municipal de Música José Ricardo de Castro, desenvolveu suas atividades em sede provisória. Em 1977, devidamente regulamentada por força de Lei, passou a ocupar o espaço central da Praça Universitária, onde hoje se localiza a Biblioteca Municipal Marietta Telles Machado. Desde 1981, funciona geminado ao Museu de Artes de Goiânia, em espaço bucólico, de luz, cores, arte e natureza. De então para cá, oferece, além do ensino musical, dança, teatro, artes plásticas, oficina integrada e outros. São cerca de 1900 alunos entre 4 e 80 anos.
Há muito, a inclusão faz parte do cotidiano dos docentes. Dividem o espaço privilegiado, no Bosque dos Buritis, crianças, adolescentes, adultos e idosos, dentre eles, vários com necessidades especiais, cujo talento é reconhecido além-fronteiras.
Dos professores e funcionários partícipes de sua memória histórica, trajetória de conquistas, desafios, frustrações e ascensão, o Centro Livre de Artes ainda conta com remanescentes do concurso público de 1985. Professoras: Terezinha Lydice Cardoso, Goiana Vieira da Anunciação, Cleonice Fialho, Marly Gonçalves de Assis, Sônia Camargo, Rosângela Reis, Adriana Andraus, Márcia Sales, Myrna Campione, Kátia Leonel, Dilma Oliveira, Ana Cristina Elias, Neide Toledo, Carmem Fialho, Francis Otto e Loertina Santana. Funcionários: Leilia Moraes, Leda Said, Campos de Oliveira, Fátima Pureza e Jaziva Ataide. Sob a dinâmica direção de Deborah Marra, o Centro Livre de Artes multiplica talentos, descobre e desenvolve potencialidades artísticas e culturais. Desde minha passagem por lá, após aprovação, em 1º lugar, no concurso público de 1985, para professora de dança, e, depois, como diretora, no período de 1986 a 1994, seu ideal pulsa em minhas veias. Parabéns, CLA, pelos 34 anos de existência!
Namastê


Elizabeth Caldeira Brito
Todo ser humano tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes..., diz o Artigo XXVII da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A Secretaria Municipal de Cultura desenvolve cronograma de projetos fundamentais que alavancam a cultura goianiense. Nas palavras do escritor Ubirajara Galli, articulista deste jornal, Ela é a Secretaria mais dinâmica do País. Atende ao direito assegurado na Declaração Universal, e democratiza o acesso da comunidade à vida cultural.
O nome Centro Livre de Artes, segmento da Secretaria Municipal de Cultura, foi idealizado pela saudosa escritora Marietta Telles Machado, em 1988, quando assessora de cultura da então Secretaria de Cultura, Esporte, Turismo e Meio Ambiente. O CLA é espaço aberto à inclusão, à cultura, à arte e ao conhecimento.
Criado em 04 de setembro de 1975, pelo prefeito Francisco de Castro, com o nome Escola Municipal de Música José Ricardo de Castro, desenvolveu suas atividades em sede provisória. Em 1977, devidamente regulamentada por força de Lei, passou a ocupar o espaço central da Praça Universitária, onde hoje se localiza a Biblioteca Municipal Marietta Telles Machado. Desde 1981, funciona geminado ao Museu de Artes de Goiânia, em espaço bucólico, de luz, cores, arte e natureza. De então para cá, oferece, além do ensino musical, dança, teatro, artes plásticas, oficina integrada e outros. São cerca de 1900 alunos entre 4 e 80 anos.
Há muito, a inclusão faz parte do cotidiano dos docentes. Dividem o espaço privilegiado, no Bosque dos Buritis, crianças, adolescentes, adultos e idosos, dentre eles, vários com necessidades especiais, cujo talento é reconhecido além-fronteiras.
Dos professores e funcionários partícipes de sua memória histórica, trajetória de conquistas, desafios, frustrações e ascensão, o Centro Livre de Artes ainda conta com remanescentes do concurso público de 1985. Professoras: Terezinha Lydice Cardoso, Goiana Vieira da Anunciação, Cleonice Fialho, Marly Gonçalves de Assis, Sônia Camargo, Rosângela Reis, Adriana Andraus, Márcia Sales, Myrna Campione, Kátia Leonel, Dilma Oliveira, Ana Cristina Elias, Neide Toledo, Carmem Fialho, Francis Otto e Loertina Santana. Funcionários: Leilia Moraes, Leda Said, Campos de Oliveira, Fátima Pureza e Jaziva Ataide. Sob a dinâmica direção de Deborah Marra, o Centro Livre de Artes multiplica talentos, descobre e desenvolve potencialidades artísticas e culturais. Desde minha passagem por lá, após aprovação, em 1º lugar, no concurso público de 1985, para professora de dança, e, depois, como diretora, no período de 1986 a 1994, seu ideal pulsa em minhas veias. Parabéns, CLA, pelos 34 anos de existência!
Namastê
MARIA JÚLIA DE TALENTO FRANCO
Elizabeth Caldeira Brito
A crônica é considerada, por muitos, um gênero brasileiro, devido às adaptações e originalidades que alcançou no decorrer dos tempos, em nosso meio literário. Inicialmente, como folhetim, frequentava rodapés dos jornais. Abordava o cotidiano, a política, questões artísticas, sociais e culturais. Assumiu sínteses e assuntos descompromissados e depois ocupou menores espaços, agilizou seus termos e humorizou seus términos. Assim, a crônica chegou aos dias de hoje e encontrou seu apogeu.
Sem o compromisso e a preocupação da informação e do comentário, incumbiu-se de divertir o leitor. Distante da crítica política e argumentação lógica, aproximou-se da poesia, em seu encontro original com o seu cerne, como afirma o escritor Antônio Cândido, no texto A vida ao rés-do-chão. Apresenta, em sua fórmula moderna, um pequeno fato com um toque humorístico e poético. Desvestindo-se de artifícios, a crônica conquistou a oralidade em sua produção. Tornou-se um importante veículo da literatura. É a forma mais natural de leitura e tradução dos tempos de agora.
Em Goiás, alavancou leitores e autores com a democratização das publicações no jornal Diário da Manhã. Transportada, do jornal para o livro, deixa a efemeridade para fixar-se na permanência. Assim, fez Maria Júlia Franco, com seus Olhos de fogo. Atuante na produção literária, é presença esperada nas manhãs goianas, revelada ao mundo nas páginas do jornal. Suas crônicas encantam pelo lirismo que carregam, pelo humor que diverte, pela goianidade que transcende e pela realidade que escancaram: ao tempo em que camuflam as nossas, nos instantes de leitura. Por caminhos imaginários, transportam-nos. E os transeuntes de suas palavras ressurgem mais maduros após cada texto.
A crônica traz também em seu bojo a capacidade de abordar temas sérios, reflexivos e críticos, sob um tênue véu de leveza.
Em nome do pai:
...Mangas-largas galopando pelos campos. Luxo, conforto, comodidade. Asas buscam continentes. Filhos e filhas, noras e genros desfrutando a herança. Pobres netos!...
Os Olhos de fogo de Júlia Franco vislumbram horizontes. Da prosa à poesia, refletem sentimentos e sentidos em múltiplos olhares. São vinte e três crônicas e oito poemas. Poesias que abrem as Janelas do tempo: passado, presente e futuro para paisagens, sensações e homenagens, nas páginas recheadas de palavras e entrelinhas preservadas.
Maria Júlia, de talento franco, interpreta a vida em linguagem plural. Empresta sonora voz à música universal e ao nosso rico folclore musical. Traduz, em pinceladas de brilho, luz e auras, a natureza e a fé. Em sua poesia, o desencanto com o universo está visível em
Apocalipses
‘Mentes vazias’
Páginas em branco
Passos indecisos rumo ao futuro
Futuro?
Águas secando
Árvores tombando
Laboratórios, monstros...
Matar...
Morrer....
Os Olhos de fogo de Júlia Franco hão de permanecer n’alma do leitor goiano. Atravessarão fronteiras, como ocorre com suas crônicas pelas páginas on-line do jornal Diário da manhã, porém, na permanência de um livro relíquia.
Namastê
A crônica é considerada, por muitos, um gênero brasileiro, devido às adaptações e originalidades que alcançou no decorrer dos tempos, em nosso meio literário. Inicialmente, como folhetim, frequentava rodapés dos jornais. Abordava o cotidiano, a política, questões artísticas, sociais e culturais. Assumiu sínteses e assuntos descompromissados e depois ocupou menores espaços, agilizou seus termos e humorizou seus términos. Assim, a crônica chegou aos dias de hoje e encontrou seu apogeu.
Sem o compromisso e a preocupação da informação e do comentário, incumbiu-se de divertir o leitor. Distante da crítica política e argumentação lógica, aproximou-se da poesia, em seu encontro original com o seu cerne, como afirma o escritor Antônio Cândido, no texto A vida ao rés-do-chão. Apresenta, em sua fórmula moderna, um pequeno fato com um toque humorístico e poético. Desvestindo-se de artifícios, a crônica conquistou a oralidade em sua produção. Tornou-se um importante veículo da literatura. É a forma mais natural de leitura e tradução dos tempos de agora.
Em Goiás, alavancou leitores e autores com a democratização das publicações no jornal Diário da Manhã. Transportada, do jornal para o livro, deixa a efemeridade para fixar-se na permanência. Assim, fez Maria Júlia Franco, com seus Olhos de fogo. Atuante na produção literária, é presença esperada nas manhãs goianas, revelada ao mundo nas páginas do jornal. Suas crônicas encantam pelo lirismo que carregam, pelo humor que diverte, pela goianidade que transcende e pela realidade que escancaram: ao tempo em que camuflam as nossas, nos instantes de leitura. Por caminhos imaginários, transportam-nos. E os transeuntes de suas palavras ressurgem mais maduros após cada texto.
A crônica traz também em seu bojo a capacidade de abordar temas sérios, reflexivos e críticos, sob um tênue véu de leveza.
Em nome do pai:
...Mangas-largas galopando pelos campos. Luxo, conforto, comodidade. Asas buscam continentes. Filhos e filhas, noras e genros desfrutando a herança. Pobres netos!...
Os Olhos de fogo de Júlia Franco vislumbram horizontes. Da prosa à poesia, refletem sentimentos e sentidos em múltiplos olhares. São vinte e três crônicas e oito poemas. Poesias que abrem as Janelas do tempo: passado, presente e futuro para paisagens, sensações e homenagens, nas páginas recheadas de palavras e entrelinhas preservadas.
Maria Júlia, de talento franco, interpreta a vida em linguagem plural. Empresta sonora voz à música universal e ao nosso rico folclore musical. Traduz, em pinceladas de brilho, luz e auras, a natureza e a fé. Em sua poesia, o desencanto com o universo está visível em
Apocalipses
‘Mentes vazias’
Páginas em branco
Passos indecisos rumo ao futuro
Futuro?
Águas secando
Árvores tombando
Laboratórios, monstros...
Matar...
Morrer....
Os Olhos de fogo de Júlia Franco hão de permanecer n’alma do leitor goiano. Atravessarão fronteiras, como ocorre com suas crônicas pelas páginas on-line do jornal Diário da manhã, porém, na permanência de um livro relíquia.
Namastê
ARTE LUSITANA TRADUZINDO A CULTURA GOIANA

Elizabeth Caldeira Brito
A história da arte da azulejaria portuguesa remonta ao século XV. Originou-se da cerâmica Árabe. Em Portugal ganhou destaque pela possibilidade de utilização, tanto em espaços internos quanto externos. Tornou-se um singular aliado dos arquitetos, pelo seu impacto artístico, visual e decorativo. De reconhecimento internacional é um dos segmentos de maior originalidade, dentre as artes decorativas da Europa.
A azulejaria portuguesa atravessou mares e aportou em Goiânia. Nas mãos de Patrícia Lobo e Henrique Manuel ganhou novos olhares. Suas técnicas enriquecem a cultura goiana. Registram no brilho, impermeabilidade e cores dos azulejos a história, os costumes, as cores e as belezas de Goiás e do Brasil. Os trabalhos perenizam a arte por meio de painéis histórico-institucionais, decorativos, religiosos, faixas, barrados, placas e pastilhas de vidro.
Patrícia Lobo é goianiense, formou-se na ESBAL Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, especializou-se em gravura e pintura sobre cerâmica. Compõe o grupo de trabalho da Cooperativa de Gravadores Portugueses. Para o crítico de arte português e Diretor da Galeria de Arte do Casino Estoril, Edgardo Xavier: Patrícia Lobo aporta a um fascinante mundo de imagens, retrato de uma intimidade que se replica, multidimensionada, tocando-nos com sua sensibilidade ímpar.
Henrique Manuel nasceu em Lisboa. Reside em Goiânia desde 1995. Aqui edificou seu universo cultural. Dedicou-se exclusivamente à arte. Pesquisador, desenvolve com sua cara metade, projetos artísticos em várias cidades goianas e brasileiras. Em recanto bucólico de encantos mil, o casal mescla com harmonia: arte, natureza, cultura e amigos.
Patrícia e Henrique são responsáveis pela execução do painel iconográfico, Memória Goianiense, idealizado pelo escritor José Mendonça Teles, instalado no frontispício do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A elaboração e a coordenação da execução do projeto, aprovado pela Lei de incentivo Cultural – Goyazes, ficaram a cargo desta articulista. A captação dos recursos coube a agenciadora, mestre em gestão do patrimônio cultural, Maria Amélia Rossi. O painel, com mais de 80m², eminentemente cultural e histórico, registra a figura dos pioneiros da construção da nova capital do Estado de Goiás - Goiânia, assim como, dos primeiros logradouros públicos, em suas feições originais. Estão contemplados ainda, os presidentes do IHGG, o primeiro prefeito de Goiânia, Venerando de Freitas Borges e o da ocasião de inauguração do painel, Iris Rezende Machado; o primeiro governador de Goiás, Pedro Ludovico Teixeira e o então governador, Marconi Perillo. Para que se perpetue, no tempo e no espaço, as figuras públicas de então e de agora. A realização foi possível, graças ao mecenato das lojas Novo Mundo e da Brasil Telecom, atualmente Oi.
São de autoria de Patrícia e Henrique Manuel as artes em azulejaria portuguesa, do Balcão da Administração da Saneago, do Painel da Sociedade Goiana de Cultura, do Instituto de Pesquisas e Estudos Históricos do Brasil Central, dentre outros. Projetos artísticos que iluminam fachadas, amenizam o deslocamento dos transeuntes no estressante trânsito de Goiânia e traduzem, sob o olhar da arte lusitana, a múltipla cultura goiana.
ALAOR BARBOSA E SEUS PERTENCIMENTOS

Elizabeth Caldeira Brito
O leitor dialoga com a obra que lê. Dialoguei, estes dias, com Bertolino d’Abadia, personagem do livro “Memórias do nego-dado Bertolino d’Abadia”, de Alaor Barbosa. As confissões reveladoras de Bertolino e sua dicção regionalista, vivenciadas no início do século passado, englobam política, cultura, convivências, afetos, desafetos e ainda o meio urbano e rural do centro do país. O singular filho e morador da fictícia cidade goiana de Imbaúbas narra acontecimentos e ações ocorridos em sua e em outras terras, mesmo de outros estados, onde a busca de aventuras o fez incursionar e desbravar horizontes.
“Eu fui um nego-dado. Quê que é? Uai, nego-dado! Um jeito de falar uma coisa que antigamente acontecia. Pai, ou mãe, não podia sustentar direito, entregava o filho a uma família com mais recursos – rica ou remediada.” Assim começa a autobiografia de Bertolino. Suas confidências revelam conquistas e fracassos amorosos, perdas de várias ordens, espertezas, valentias, combates. Histórias daquele tempo – a primeira metade do século XX – e um crime de homicídio quase perfeito. As narrativas perfazem um romance habilmente alinhavado, em que os acontecimentos, graças a uma técnica narrativa originalíssima e eficiente, se encadeiam de forma não sequencial. Questões e fatos políticos permeiam todo o romance, cuja atualidade é permanente. As experiências vividas por Bertolino d’Abadia jamais lhe serviram de lições.
Um dos mais importantes críticos brasileiros (recentemente falecido), Wilson Martins, ao escrever sobre “Memórias do nego-dado Bertolino d'Abadia”, colocou o autor na galeria em que se encontram o russo Dostoievski, o italiano Giovanni Verga, o inglês Thomas Hardy e o português Eça de Queiroz.
Alaor Barbosa é goiano de Morrinhos. Suas múltiplas produções englobam ficção, ensaio/estudo, romances, estórias infanto-juvenis, obras jurídicas, artigos e crônicas. Publicou quase vinte títulos. É membro da Academia Goiana de Letras, da Associação Nacional de Escritores, de Brasília, da União Brasileira de Escritores de São Paulo e de Goiás, e, eleito há pouco tempo, membro da Academia de Letras do Brasil. Teve premiado em Lisboa, Portugal, em 2008, o romance “Eu, Peter Porfírio, o maioral”, com a edição feita em setembro de 2009. Formou-se em Direito na UCG. É Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília, onde foi Consultor Legislativo do Senado Federal. Há mais de vinte anos reside e advoga na Capital Federal. Trabalhou em importantes jornais do Rio de Janeiro antes de voltar, em 1964, para Goiás. É assíduo cronista deste democrático Diário da Manhã. Recebeu, recentemente em Goiânia, a Comenda Professor Colemar Natal e Silva, da Câmara dos Vereadores, que lhe concedeu, por proposta do vereador Iram Saraiva, o título de Cidadão Goianiense, cuja entrega será feita brevemente.
O escritor Carmo Bernardes, acerca do livro “Os rios da coragem”, de Alaor Barbosa, afirmou: “Encho-me de orgulho dos meus companheiros. Na conversa mole e saborosa daqueles contos que para mim chega a ser comovente (tanto evoca o meu povo), está a linguagem legítima da nossa gente, espontânea e autêntica, e não o arremedo dos pedantes. É uma prosa que sai da alma como o sumo sai do fruto. É a essência sem aditivo do clã do autor, que delata a sua enorme honra de a ele pertencer. Não é o popularesco da ventriloquia ressoando cultura de empréstimo.”
Escritor dotado de conhecimentos universais e fiel aos seus deveres de criador, sua produção literária é rica de pertencimentos. O patrimônio de Alaor Barbosa é o seu “clã”, sua origem e o torrão natal que agasalha e carrega nos olhos, nos sentimentos e nas recordações. Retrata sua aldeia e assim retrata o mundo. Isento de submissão intelectual, avesso a modismos literários e independente dos ventos enganosos da política partidária, segue coerente em sua fidelidade a si mesmo – fidelidade que, para Shakespeare, era um dever acima de todos os deveres. Originariamente seus personagens, hóspedes de lembranças arquetípicas, transitam entre os contos e romances. Aparecem e atuam diversas vezes, como se vivessem várias gerações. O autor registra, salva, leva além-mar e para a posteridade a linguagem peculiar e a cultura do povo do interior de Goiás. Aquele que compõe a memória histórica do nosso Brasil.
Namastê.
SANTUÁRIO DA ARTE NO LEGISLATIVO GOIANO


Elizabeth Caldeira Brito
A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás abriu suas portas para a arte, a cultura, o congraçamento e o reconhecimento dos agentes que fazem a cultura em Goiás, com a realização da XI Coletiva de Escultores e Pintores do Movimento Santuário da Arte. Márcia Coutinho, responsável pelo Centro de Cultura da Assembleia, demonstrou dedicação e conhecimento na organização do evento. O cerimonialista da Casa, Ailton, que há 28 anos faz esse serviço, iniciou os trabalhos. Em seguida, passou a incumbência ao escritor Ubirajara Galli que comandou o Encontro.
A exposição das esculturas e telas do Movimento Santuário da Arte, idealizado pelos artistas plásticos Elifas e Helena, realizou-se no saguão da Assembleia. Participaram os escultores: Astúlio Caiado, Elifas, Helena Batista, Norma Caiado e Heuller. As telas emolduravam espaços e encantavam olhares. Expuseram: Alberto Tolentino, Amaury Meneses, Chico Menezes, Gilka, Gomes de Souza, Graça Dayrell, Helena Vasconcelos, Juca de Lima, Leo Pincel, Liah, Lucia Leonel, Lurdes de Deus, Mamede, Manuel Santos, Maria Cleusa Mundim, Maria Oliveira, Pirandelo, Sanatan, Vânia Ferro e Waldomiro de Deus.
O projeto homenageou, com um troféu esculpido por seu idealizador, as personalidades que contribuíram para o bom desempenho do setor cultural em Goiás. O Auditório Solon Amaral fez-se pequeno para abrigar a seleta plateia, no último dia 18 de novembro. Um misto de ave e mulher, prenha de cultura e conhecimento, o troféu de Elifas; com cerca de 30 cm, revela ao agraciado o seu valor.
Homenageados que se fizeram presentes e receberam o troféu: pintora Alessandra Teles; musicista Custódia Annunziata S. de Oliveira, presidenta do Conselho Estadual de Cultura; escritor Edival Lourenço, presidente da União Brasileira de Escritores Seção Goiás; escritora Elizabeth Caldeira Brito; empresária Edna de Oliveira Martins, da Época Galeria de Artes; escritores: Gabriel Nascente, Geraldo Coelho Vaz e José Fernandes; escritora Heloisa Helena C. Borges, presidenta da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás - AFLAG; pintor Juca de Lima; médico da beleza, Marcus Vinícius Lobo Lopes, especialista da Day Clínica; jornalista do Diário da Manhã, Ulisses Aesse; cantor e compositor Pádua, cuja apresentação deixou o gosto de quero mais, ao cantar só uma melodia, para o seleto público.
Alguns homenageados fizeram-se representar: escritor Aidenor Aires, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás; escritora Ana Braga, ex-presidenta e fundadora da AFLAG; empresário Antônio Almeida, diretor-presidente da Editora Kelps; escritor Helio Moreira, presidente da Academia Goiana de Letras; escritor José Mendonça Teles, presidente do Instituto que leva seu nome; musicista Maria Augusta Callado; escultora Norma Caiado e escritor Paulo Nunes Batista.
O Movimento Santuário da Arte foi criado em 1988. Reúne artistas plásticos e escritores, novos e consagrados. Inicialmente, Elifas democratizou o espaço de seu amplo ateliê e depois utilizou-se de diversos locais para as exposições e homenagens. O Santuário notabilizou-se pelo sonho de seu criador, de suas dinâmicas ações e parcerias para a concretização do Projeto que, desta vez, contou com a parceria do Legislativo goiano.
O Santuário da Arte, há mais de 20 anos, hospeda a memória e a história da arte produzida em Goiás. Como um vulcão, Elifas e Helena levam a lava da arte ao povo, e reconhece algumas personalidades que contribuem para o desenvolvimento cultural goiano.
Namastê
FOLIA DE REIS: FÉ, FOLCLORE E RELIGIOSIDADE
Elizabeth Caldeira Brito
Campinas, o bairro que originou Goiânia, inicia suas comemorações de 200 anos com religiosidade popular e folclore brasileiro. Grupos de Folia de Reis da capital e interior relembraram, no último dia 24, a viagem dos Magos, de visitação ao Menino Jesus, do Oriente a Belém, a mais pura demonstração de fé, devoção e religiosidade.
De origem portuguesa, a Folia de Reis chegou-nos pelos colonizadores portugueses, para constituir e enriquecer a cultura brasileira. Em Goiás, não seria diferente. A história em prosa, versos e cantos plangentes, da visita dos Reis Magos, Gaspar, Melchior e Baltazar, ao menino Jesus, quando de seu nascimento, é contada de geração em geração. Diz a tradição que os Reis presentearam o Deus Menino com ouro, incenso e mirra, símbolos das três dimensões do Messias: realeza, divindade e humanidade.
A equipe da Secretaria Municipal de Cultura, liderada pelo escritor Kléber Adorno, secretário da pasta, deu continuidade ao Encontro, nona edição (a sétima em sua gestão), cujo início data de 2001. Por sua magnitude, exige ser ampliado o tempo de apresentação dos foliões. Em sua 10ª edição serão dois dias dedicados à Folia. Promessa de Kléber Adorno.
Sob a coordenação do professor Jadir de Morais Pessoa, antropólogo e vice-presidente da Comissão Goiana de Folclore, o Encontro iniciou-se com a Missa dos Foliões. A Celebração eucarística, realizada pelo Padre Walmyr Garcia dos Santos, no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Matriz de Campinas), tornou pequena aquela casa santa. Com a participação de vários grupos de Folia, a liturgia emocionou todos.
Com o Canto de Abertura, de autoria do folclorista Bariani Ortencio, presidente da Comissão Goiana de Folclore – UNESCO, executado pela Folia Associação Cultural do Brasil, desta capital, a missa inciou-se; a primeira leitura ficou a cargo do prefeito Íris Rezende Machado.
Canto de Abertura
Clareou a noite santa
Quando a estrela apareceu
Avisando os Três Reis Santos
Que o Menino Deus Nasceu
Nascimento conhecido
Nascimento Anunciado
Os Três Reis saíram andando
Para o encontro festejado
Viajaram pra Belém
São Mateus foi quem contou
Guiados por uma estrela
Que do céu acompanhou
Nós também vamos andando
Foliões e mascarados
Para a casa de Deus Pai
Pelo Espírito guiados
Nossa vida inteirinha
Nós trazemos de uma vez
Para o altar da Eucaristia
Com a fé nos Santos Reis.
O público, emocionado e participativo, encantou-se com a Orquestra Raízes da cidade de Pontalina – Goiás e com a sonoridade musical da cantora e vereadora Célia Valadão, os primeiros a se apresentarem no foliódromo. O cerimonialista do evento, músico Adalto Bento Leal, comandou os festejos dos 54 grupos, durante todo o dia. Um grupo de foliões é composto por: Alferes da Bandeira, Embaixador, Gerente, Instrumentistas, Coro de Vozes e Palhaço. Cada membro, com função específica, desempenha um papel. Este ano ressaltou-se a figura do Palhaço e seu simbolismo. Também chamado de Boneco, Bastião ou Mascarado, era um dos soldados de Herodes. Sua função, dentre outras, distrair a milícia para não encontrar o recém-nascido de Belém. Tornou-se o protetor e o guardião do Menino Jesus. A celebração religiosa e os festejos mobilizaram a comunidade para que seja também guardiã do filho de Deus, de suas palavras e seus ensinamentos.
Preciosos momentos de fé, folclore e religiosidade. Tempo e espaço para a preservação das tradições do folclore brasileiro e da identidade do povo goiano.
Namastê.
domingo, 27 de junho de 2010
AMAURY MENEZES EM EXPOSIÇÃO DE ARTE E VIDA

Elizabeth Caldeira Brito.
Ao visitar a exposição do artista plástico “Amaury Menezes 50 anos de pintura” na Pontifícia Universidade Católica de Goiás, mais que as preciosas 160 obras de arte expostas do artista, pode-se apreciar Amaury Menezes por ele mesmo. Em “Páginas esparsas de uma agenda” Amaury se mostra. Nas impressões sobre arte, vida, pessoas, emoções, afetos e relacionamentos, filosofa. A “agenda” são páginas selecionadas de seu universo de registros, numa harmonia de palavras, imagens e cores. Ilustrações em aquarelas e sentimentos registram a data e sua importância afetiva e histórica. Em quatro painéis de 122x81cm, contendo nove páginas de “segredos de in-confidências”, Amaury se expõe. Em letras coloridas e dinâmicas o artista diz a que veio. Escancara sua leitura do mundo, sua sensibilidade, seu apego à vida e à arte que o completa.
No dia 25/07/2000 Amaury registra: “Setenta anos não é mais idade para ser lastimada, mas uma data para ser agradecida e festejada”. No dia 12/03/2000 lastima a perda de um grande amigo: Cleber Gouveia. Ao lado de seu retrato em aquarela, Amaury desabafa: “Se tivesse com sua pessoa a disciplina que tinha com sua pintura, ainda estaria entre nós. Seu corpo refletia a dimensão da arte” e continua: “Lamento também ter demorado a perceber o quanto éramos amigos...”.
A data 13/02/2001 descreve como sendo o dia em que sob disfarce chorou. “...Pela primeira vez na vida fui aplaudido de pé e acho que não consegui esconder minha emoção. Disfarcei e chorei”. Explica: quando levou o currículo e aceitou o convite para voltar a lecionar na Faculdade de Arquitetura da Universidade Católica de Goiás, chegou no momento de uma reunião de congregação. Diante dos professores, Saida Cunha anunciou sua presença. Naquele instante sentiu-se “alguém, e alguém de valor”. Os aplausos recebidos foram com entusiasmo e genuinamente espontâneos.
Ao completar 71 anos, em 25/07/2001, conclui: “Lutando para conseguir chegar à velhice, não percebi que fiquei velho”. Com sabedoria profetisa: “Tenho bem menos que 71 anos, pois os dias que não foram bons não devem ser contados”. Naquele ano Amaury “risca” alguns dias de sua agenda. Não de sua memória: de 18/02 a 04/04 ocorrem grandes dissabores ao artista, cujas anotações registram, além da data riscada: “A maledicência se transforma em convicção tal como o preconceito se converte em dogma.” Continua: “o rancor só fere a quem guarda.” Ainda: “Sei que não sou depressivo porque torço para o dia amanhecer, e não tenho medo da noite. As noites servem para os sonhos.” Conclui: “Mais forte que o rancor é o perdão que não é concedido”.
Em 03/05/2001, afirma que “tenho saudades de momentos não vividos”. Diz das idades por que passou: “folheando um velho álbum de fotografias, revi, revivi e tive todas as idades.” Em 25/05/2003, página com retrato em aquarela de José Mendonça Teles, então presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, registra sua satisfação e responsabilidade: “Uma posse na cadeira 25 do IHGG, que encheu de orgulho a minha família.” Sentencia: “Hoje eu me senti um monumento, não só pela dimensão da hospedagem, como também pela contribuição que esperam de mim para a memória de minha terra.”
Este artigo será concluido no texto: AMAURY MENEZES O HOMEM QUE HABITA O MITO, logo a seguir...
Namastê
AMAURY MENEZES O HOMEM QUE HABITA O MITO

AMAURY MENEZES O HOMEM QUE HABITA O MITO
Elizabeth Caldeira Brito
Para concluir este artigo, resgato o primeiro parágrafo utilizado no artigo AMAURY MENEZES EM EXPOSIÇÃO DE ARTE E VIDA texto que dá inicio a este.
"Ao visitar a exposição do artista plástico 'Amaury Menezes 50 anos de pintura' na Pontifícia Universidade Católica de Goiás, mais que as preciosas 160 obras de arte expostas, pôde-se apreciar Amaury Menezes por ele mesmo. Em 'Páginas esparsas de uma agenda' Amaury se mostra. Nas impressões sobre arte, vida, pessoas, emoções, afetos e relacionamentos, filosofa. A 'agenda' são páginas selecionadas de seu universo de registros, numa harmonia de palavras, imagens e cores. Ilustrações em aquarelas e sentimentos registram a data e sua importância afetiva, histórica e iconográfica. Em quatro painéis de 122x81cm, contendo cada um, nove páginas chamadas de “segredos de ‘in-confidências’ ”, Amaury se expõe. Em letras coloridas e dinâmicas o artista diz a que veio. Escancara sua leitura do mundo, sensibilidade, apego à vida e à arte que a completa."
No dia 17/04/2005, a diva da música Belkiss Spencieri deixa esta dimensão. Ao lado do retrato em aquarela de Belkiss ao piano, as anotações: “Perdi uma grande amiga, mas a perda foi de Goiás que ficou sem a mais importante pianista de sua história.” Na página, cujo registro marca a data de 25/07/2005 contém, em destaque,o número 75 múlticolorido. Nela contém tristes e criativas conclusões: “Conseguir chegar à velhice é benção. Ficar velho é punição.” “Ao completar 75 anos sou agraciado com uma série de honrarias: Artista Plástico do FICA; Capa das Telelistas; Troféu do Arthur Rezende; Comenda da Ordem Anhanguera e Patrono da Arquitetura. Acho que julgando já não me restar muito tempo pretendem me homenagear em vida.” Poeticamente afirma: “agora não tenho muito que fazer. Ainda estou aprendendo a ser velho.”
Em 05/11/2005, em página de flores cores e o jovem casal em bodas, comemora: “50 anos de um enlace que aconteceu, frutificou e criou uma poesia cujos versos ninguém escreveu.” e ainda: “Sabemos que valeu a pena quando vemos transformadas em saudades as nossas lembranças.” Para ele “a grande prova é aquela que ainda não foi dada.” Finaliza o dia confessando ao mundo: “outras mulheres passaram em minha vida, mas só participaram da minha juventude e não fizeram parte das minhas esperanças.”
O ano de 2008 é lembrado. No dia 25 de julho, dia do seu aniversário, perfuma de cores sua agenda de memórias. Em página multicolorida, com flores, muitas flores, escreve: “Um balde de flores ainda é pouco para celebrar a sobrevivência.” Afirma: “com 78 anos ainda sou capaz de fantasiar.” Festeja: “Conservo meus sonhos, nunca sabemos quando vão nos faltar.” Racionaliza: “Quando eu morrer param os meus sonhos.” Finaliza o dia com suas dúvidas e conclusões: “Sempre tive diversas convicções fixas. Agora quanto mais o tempo transcorre, menos certeza tenho de qualquer coisa.”
Ao completar 79 anos de vida, em 25/07/2009, pondera: ”Todos desejamos chegar à velhice, mas recusamos aceitá-la.” Percebendo o recuar dos sonhos para dar lugar às lembranças, se entristece: “Percebi que estou ficando velho quando vi que gasto mais tempo com meus arrependimentos do que com meus sonhos.” Escreve em destaque: “NÃO QUERO SER ESQUECIDO.” E finaliza: “Acredito que se falarem de mim me fariam viver para sempre em suas palavras.”
Muito se tem falado e escrito sobre Amaury Menezes. Registramos aqui um pouco da grande figura humana que habita o mito. Há muito o que comentar e escrever sobre sua extensa obra e trabalho em prol da cultura de nosso estado.
Mesmo no silêncio da palavra e no aconchego das lembranças, sua arte e íntegras atitudes, hão de perpetuar sua existência além das nossas. Por muitos e muitos séculos... Amém!
Namastê.
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