Elizabeth Caldeira Brito

Elizabeth Caldeira Brito
Casa de Campo em Alhué - Chile. Fotografia de Elciene Spenciere

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Goiânia, Goiás, Brazil
Elizabeth é Psicóloga, Professora de Educação Física e escritora. Sócia Titular-Cadeira 07 do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Membro da Academia de Letras do Brasil. Diretora Regional do InBrasCI - Instituto Brasilieiro de Culturas Internacionais. É Conselheira do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de Goiânia. 2ª vice-presidente da Comissão Goiana de Folclore-UNESCO. Obra: Dimensões do Viver, poesias - 2004; Quatro Poetas Goianos e um Pintor Francês, biografias - 2004; O Avesso das Horas & Outros - El reverso de Las Horas y Otros - L'Envers des Heures & Autres, Edição Trilingue, poesias - 2007.Traduções de Yvan Avena (para o idioma francês), Perpétua Flores e Ana Maria Patrone (para o idioma espanhol). A cultura plural de Bariani Ortencio (org) Kelps, 2009. A vinda da Família Real para o Brasil-200 anos (org.)Kelps, 2009. Permanências , artigos, Kelps/UCG -Goiânia 2009.Santuário da Cultura Universal, ensaios, Kelps - Goiânia, 2010. Amayáz, poesias, Kelps, 2012. Formação de Goiás Contemporâneo, (org) artigos. Kelps, 2013. FOTOGRAFIA DE MONIQUE AVENA

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

MARIA LUÍSA RIBEIRO NO DOMÍNIO DO IMPOSSÍVEL

Maria Luísa nasceu em Goiânia. Foi a primeira e única mulher a ocupar a Presidência da União Brasileira de Escritores de Goiás, após 55 anos de fundação da entidade, em quatro mandatos consecutivos. Hoje, sob administração profícua de Edival Lourenço. Ela, em sua gestão, conseguiu uma nova sede. A mais bela e bem montada UBE do Brasil. Foi condecorada com a comenda da Ordem do Mérito Anhangüera. Exerceu o cargo de Delegada Regional de Ensino no Município de Jussara – GO. É autora do projeto “Porto do Escritor-Vitrine da Literatura Goiana” que disponibilizou, para dez cidades goianas, o acesso a seiscentos livros de autores da nossa terra. Publicou nove livros entre contos, poemas, romance e infantis.

Ninguém melhor para descrevê-la que ela mesma. Do livro Além do Alambrado: “Nascemos juntos: eu e o dia. Goiânia estava com frio - era junho, 18- e o sol, 27º de Gêmeos... Criança ousada e destemida convivi com os bichos e a natureza. E poeta já nasci. Do livro fiz, sempre, meu amigo mais íntimo. E da vida, meu momento maior. Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Goiás busquei as leis como escudo contra as injustiças e em favor do homem-ninguém.

Religião, espiritualista. Culto, liberdade. Paixão, teatro. Fascínio, chuva (com relâmpagos). Se não fosse gente queria ser borboleta. E se pudesse escolher morreria à noite andando pela solidão onde fiz tantos versos.”

“A poesia não é ciência, mas arte e arte é forma e nada mais que forma”, afirma Jean Cohen. Acrescento: a poesia é, além de arte e forma, razão, emoção, ação, inspiração e transpiração. A linguagem poética de Maria Luísa confirma estas afirmações. É carregada de forma, razão, ação e emoção, além de alto grau de transpiração, o que a torna durável, perene e sempre atual. Elabora e expõe suas inquietações constantes e sua afirmação intimista, onde o pensamento se encontra nas interrogações. Amplia seu campo visual enfatizando a busca da inspiração, do sentimento e da justiça social, objetivo constante em sua vida.

A emoção e razão, ávidas para aflorarem, se tornarem palavras, gestos e ações, apresentam-se em seu auto-retrato no poema:

TATUAGEM

Se havia lua
não me lembro.
Mil estrelas despertadas pela emoção.
Grito voando pela noite.
Razão em farrapos
(azar dela!)
que se inclinou
e foi tapete do desejo.
Queria ser tesa,
louca, afoita
e tiveste a borboleta
tatuada no peito.

Brasigóis Felício, exímio escritor goiano, afirma, no prefácio de Além do Alambrado, “Que a poesia entrevista e captada pelo espelho poético de Malú Ribeiro, nos limites de tudo o que é humano, e além do Alambrado de nossa precária eternidade, possa deixar raízes de emoção e sentimento, assim provando que o fazer poético, este dom dos deuses, foi também concedido, em generosa e abundante lucidez, às mulheres, capazes como Malú Ribeiro, de saber:

A dor é pequena
a flor gigante
e a dor tão lúcida.”

É! Brasigóis tem razão! O dom do fazer poético foi concedido, não só aos homens, mas em abundância às mulheres, e quero crer, que especialmente às mulheres goianas, principalmente àquelas que como Maria Luísa Ribeiro (nas primeiras publicações usava o nome Malú Ribeiro), acreditam no impossível e realizam o improvável.


Namastê!

POESIA? FREUD EXPLICA.


Elizabeth Caldeira Brito

A obra de arte suscita atitudes diversas, aos olhos de quem vê, que podem ser, sensações ou reflexões acerca do objeto visto. Tanto a crítica literária quanto a psicanálise, conceituam a obra de arte, tornando possível a compreensão do processo criativo e da apreensão do público. Como afirma T. S. Eliot: “o papel principal do crítico de poesia é subsidiar o leitor a compreender e a se deliciar com a leitura de um poema”. Freud comenta o “poderoso efeito” que as obras tinham sobre ele, que era capaz de passar horas contemplando-as, na tentativa de apreendê-las à sua maneira, ou seja, explicar a ele “mesmo a que se deve o seu efeito”. Por esta percepção, ele foi buscar nos conflitos dos relacionamentos, os motivos para elaborações como a criação artística, os sonhos, as neuroses e a produção poética.

Para Freud, a arte é “um domínio intermediário entre a realidade, que nos nega o cumprimento de nossos desejos, e o mundo da fantasia, que procura sua satisfação.” A imagem, encontra-se presente, em todas estas elaborações que a psicanálise se refere. Para a compreensão desta imagem, sempre presente na criação artística, a crítica nos oferece subsídios fundamentais. Como confirma S. H. Burton, eminente crítico literário. Para ele: “o crítico deve primeiro tornar claro ao leitor o assunto de um poema e a atitude do poeta em face ao mesmo; segundo, dar ao leitor, clara e inequivocadamente, a opinião que ele (o crítico) formulou sobre o valor do tema e sobre o tratamento que lhe dá o poeta”.

O renomado teórico de crítica literária Alfredo Bosi, defende que antes da imagem tornar-se palavra, discurso ela se origina no corpo especificamente no id (o pólo pulsional da personalidade, para Freud) como uma catarse, que ao se transformar em palavras, cria um intervalo entre o corpo e o objeto que será preenchido pela analogia, que é a responsável pelo uso das metáforas e outras figuras que dão à poesia o peso de ser o que é. Para o renomado crítico literário Emil Staiger, a imagem na poesia lírica é de fundamental importância, enquanto fusão emotiva, entre o eu lírico e o mundo, e assim os seres do mundo exterior carecem de identidade “objetivamente” própria, visto que há “um-no-outro” lírico, onde a realidade é diretamente apreendida, “melhor que qualquer intuição ou qualquer esforço de compreensão.” Daí a explicação da característica alógica do poema lírico. Há aí o caráter íntimo, onde o eu lírico configura e exprime seu mundo interior. Emil Staiger acredita que a concentração em si mesmo do eu lírico, é devido à rejeição da sociedade que castra a realização dos desejos e sonhos do indivíduo, para ele o melhor mesmo é sentir e captar o ideário poético do autor. Na psicanálise de Freud todo indivíduo é inimigo da civilização, por adiar e controlar o princípio do prazer inerente ao ser humano, sem que possa por ele ser usufruído. Assim, é possível compreender a preferência em ocultar os conteúdos do imaginário dos sonhos, por serem quase sempre considerados perturbadores. Neste sentido, o escritor criativo exercita sua função cultural, quando expressa os seus devaneios e instiga no leitor suas fantasias secretas. Assim, o texto poético ou a prosa, num misto de estímulos internos e externos, se misturam entre o presente e o passado como em um sonho. Mas como afirma o escritor romancista, dramaturgo, biógrafo e crítico literário português João Gaspar Simões “...a poesia, tal como a concebe e realiza um Eugênio de Andrade, ...não engana ninguém quando é feita para enganar.”

O plurissignificado dos textos poéticos equivalem à sobredeterminação de conteúdos latentes no sonho ou devaneios. Na poesia há uma elaboração mais complexa e há ainda o uso de metáforas, reunindo em um só elemento ou imagem, diversos destes conteúdos. Para Freud as imagens dos sonhos são sensoriais (passíveis de serem mais que visuais) capazes de interpretações metafóricas e plurais. Já as imagens, na produção poética, são palavras elaboradas artisticamente, de maior complexidade e originalidade. Sugerem interpretações que vão além da existência de um sentido previamente. As possibilidades de interpretação, ultrapassam o autor e as condições especiais que originaram a imagem ou o conjunto de imagens. Daí a importância do crítico literário apresentar um norte ao leitor, para melhor compreensão do texto poético, conforme Carlos Buosoño conceitua o papel do crítico: “Estudar um poeta é comprovar o que este tem de comum com seus contemporâneos e com a tradição mediata e imediata, e o que tem de diferente, de inovador, de inventor.” Vez que o poeta não tem auto-estima própria. A dele reflete a humanidade e o contexto em que vive.

Existem diferenças significativas entre as imagens produzidas pelo sonho e as imagens da criação poética, afirma Freud. Naquelas as imagens são traduzidas a posteriori em palavras, nem sempre concordadas e com uma linguagem corriqueira. Na elaboração poética, as imagens (mesmo sendo de origem no corpo e nas pulsões do instintivo id), são de densidade, originalidade e elaboração artística, cuja autonomia leva vida a fora a sua própria vida, destacando-se do autor. Como enfatiza H. Heine em epígrafe em livro de Castro Alves: “Não sei realmente se terei merecido que um dia depositem uma coroa de louros sobre o meu caixão. A poesia, seja qual for o meu amor por ela, sempre foi para mim apenas um meio consagrado a um fim santo. Jamais atribuí um grande preço à glória de meus poemas e pouco me importa que os elogiem ou critiquem. Mas será uma espada que devereis colocar sobre meu túmulo, pois fui um bravo soldado na guerra de libertação da humanidade.” Considerando que diferentemente do psicanalista que tem o sujeito ali à sua frente, o leitor do poema não tem a oportunidade do diálogo com o autor das imagens. Não há aí uma limitação, ao contrário, é uma forma de conhecimento, pois que não sendo um processo terapêutico, não há a intenção de psicanalisar o autor empírico do texto poético e sim melhor compreender um outro eu, que também faz parte do leitor, pois o poeta é a empatia do mundo, absorve e reflete todas as dores.

Este reflexo na obra literária – a transformação das dores do ser humano em momentos poéticos é o tema de Cecília Meireles no poema “A doce canção”:

A DOCE CANÇÃO
Cecília Meireles

Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce,
de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse
felicidade e não pena.

Anjos de lua dourada
debruçaram-se na altura.
Não houve, no chão criatura
de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia,
fiz suspirarem defuntos.
Um arco íris de alegria
da minha boca se erguia
pondo o sonho e a vida juntos.

O mistério do meu canto,
Deus não soube. Tu não viste.
Prodígio imenso do pranto:
-todos perdidos de encanto,
só eu morrendo de triste!

Por assim tão docemente
meu mal transformar em verso,
oxalá Deus não o aumente,
para trazer o universo
de pólo a pólo contente!

As imagens, na produção poética, se abrem em um leque de direções, mas expressam sempre o interior do autor para o interior do Outro - o leitor. As respostas, que estão além da comunicação verbal, cuja busca incessante é parte do homem, podem estar na poesia, enquanto linguagem a serviço do ser-no-mundo. Essas questões só serão formuladas pela linguagem e através dela. E só na linguagem será possível apresentar ou tentar apresentar as respostas, que, às vezes, serão possíveis se recorrermos à poesia. E a poesia, a crítica e a psicanálise não apresentarão respostas às todas as questões, mas poderão contribuir para a aquisição de conhecimentos e de sensibilidades que tornarão o homem, um ser humano mais criativo, inovador e consciente de seu vir a ser no mundo.

Namastê.

O UNIVERSO POÉTICO DE AUGUSTA FARO




Elizabeth Caldeira Brito


Augusta Faro Fleury de Melo é terra, cerrado é Goiás. Carrega nos olhos, no coração e na memória, o berço amado de seus antepassados e no sangue, a nobreza de bela origem. Herdeira, do legado humanista de suas lembranças, estampa em sua produção poética, o amor ancestral por sua terra natal. Como ocorre em Vila Boa:

VILA BOA

Meu umbigo
é preso inteiro
na placenta verde
de seus morros.

Premiadíssima nos livros infantis, contos e reconhecida como poetisa de primeira grandeza, sua obra (quatro livros de poesia, dois de prosa e dezenas infantis) nos remete a imagens do real, do imaginário e do simbólico, muito bem arquitetadas. Sua criação poética é de pura emoção, mas é a razão que proporciona, direciona e molda a iluminação inicial. A sensibilidade do leitor atento, possibilita visualizar a dualidade: força e leveza presentes em seus poemas. Augusta, por vezes, nos leva a um tempo distante, em que as mulheres se mostravam meigas, delicadas e dependentes.

Em outros momentos, nos apresenta mulheres capazes de forças sobrenaturais, na defesa e proteção de si mesmas, da família e da sociedade. Sua poesia é impregnada de lirismo bucólico, paisagens possíveis na memória das palavras e no registro de um tempo em que a infância tecia molduras nos retratos de afetos:

A CASA DA VOVÓ

Na casa da vovó havia
uma enorme varanda
a rede alvinha
onde deitava
meus sonhos
e via o luar
nas telhas de vidro
medalhas de prata!
Na casa da vovó
relógio tão lindo, muito antigo
cantando as horas
horas vividas e ouvidas ...

Há grande silêncio agora,
os anos roubaram devagarinho...
a varanda enorme, o relógio antigo
o luar nas telhas de vidro
o cantinho de vovó
o pilão, os quitutes
o presépio, o quartão...

Escondidas
moram em repouso
no aconchego eterno
de meu coração triste.

Fernando Pessoa afirmou: “Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir: o que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. Faço férias das sensações.” E assim, escrevendo, Augusta diminui sua febre das sensações. Apresenta-nos paisagens de pura arte na busca do auto-equilíbrio e do bem estar com as emoções. Filosofa poeticamente com os melindres da existência humana, utilizando os recursos de polissemia da linguagem, através de seus enigmas, matizes e mistérios, como se vê em:

AMAVIO

Nunca sei quando chegas,
se vens doendo em solidão.
Às chagas que tenho nas mãos
chegas, e
toca-as
quando doendo estou.
Parto em duas as rosas das faces.
Se partes,
a tua partida me dói
e me chaga as mãos.
E quando chegas
me beijas
as mãos
e delas – as chagas –
que são rosas,
não as das faces,
mas rosas
doendo de vida
e solidão.

Augusta Faro confere voz aos silêncios e as indagações. Cônscia da provisória existência, questiona, de forma lúdica e irreverente, os aspargos das adversidades da vida, num eficiente jogo de palavras, como ocorre em:

TRAVESSIA

Traspassada
trespassada
tripartida
tropeçada
truncada.
Isso lá é vida?

Moema de Castro e Silva Olival afirma no prefácio do livro Avessos do Espelho: “Augusta evidencia conhecer a trilha que leva ao ‘Centro da Poesia’. Isto, porque sabe, como literata e Mestre em Letras, que poeta, hoje, mais do que nunca, é um artífice de seu mister. Se, por um lado, é movido e iluminado pela inspiração, por outro, tem de fazer dela uma compulsão de buscas e imbricações, de vigílias e artesanato, para que Real, Imaginário e Simbólico se entrelacem na teia mágica da verdadeira poesia, tal como se verifica neste belo livro...”. A teia mágica da verdadeira poesia está presente não só neste belo livro, mas em toda sua produção literária.

Tanto a poesia quanto a prosa, é recheada de lirismo, em matizes que mesclam o real e o absurdo. Sua produção se veste de certa inquietude e tensão dissonante, objetivos das artes modernas em geral, como afirma Hugo Friedrich, (1904-1978) crítico alemão. A prosa, eminentemente poética de Augusta Faro... Fica pra depois.


Namastê.

DUELO NA FRONTEIRA



















Para André Mauais, escritor francês (1885-1967) “A cultura é o que fica depois de se esquecer tudo o que foi aprendido”. Então, nada mais espontâneo, genuíno e original que a cultura de um povo. Estivemos em contato com a mais pura manifestação cultural de Rondônia, mais precisamente: Guajará–Mirim. Local de representação da lenda do Boi Bumbá. Situada a oeste de Rondônia, distante cerca de 320 km da capital, Porto Velho, Guajará-Mirim, que significa na língua indígena tupi-guarani, cachoeira pequena, foi criada em 1928 à época da construção da estrada de ferro Madeira – Mamoré, sendo em sua região o ponto terminal da estrada que foi concluída em abril de 1912. Em julho de 1928 Guajará-Mirim, foi elevada a categoria de cidade do governo do Estado de Mato Grosso. Em 1943 passou a fazer parte do território de Guaporé (Rondônia) como município. Conta atualmente com cerca de 49 mil habitantes.

A Pérola do Mamoré, como é carinhosamente chamada, Guajará–Mirim, possui cenários exuberantes oferecidos pela natureza. O encontro das águas límpidas do Rio Pacaás Novos com as águas barrentas do Rio Mamoré, deslumbra os olhos de quem vê. A cidade faz fronteira com Guayaramerim, na Bolívia, cujo comércio é sua maior fonte de renda.

É neste cenário de belezas infindas, de um povo hospitaleiro, cortês e agradável, que possui o céu mais belo do País (é o céu que a empresa Microsoft utiliza em suas imagens) que aportamos – três goianas para julgarem O Duelo na Fronteira. A amostra folclórica de Guajará–Mirim, que se tornou o cartão postal da cidade, compõe o calendário cultural da região e é pólo gerador de renda para a comunidade local. Conglomera e arregimenta a população como um todo. Por esta ocasião a cidade se une e se divide. Une-se em defesa do seu Boi Malhadinho ou Flor do Campo e se divide na torcida pelo Boi Bumbá escolhido. Crianças, desde a mais tenra idade, jovens e adultos, todos participam das diversas etapas, desde a preparação das ricas e criativas indumentárias, dos carros alegóricos e alegorias, até o ápice, que são as apresentações, em três dias (noites) consecutivos.

O tema folclórico é de forma rica e amorosamente desenvolvido, com lendas, mitos e tradições dos caboclos e índios da região amazônica. As apresentações buscam cada ano, representar de forma mais competitiva os Bois Bumbás. Os jurados são convidados de outras cidades ou de outros estados, que julgam, de acordo com o regulamento, os diversos quesitos que compõem o roteiro de apresentação das duas Associações Folclóricas e Culturais: Malhadinho e Flor do Campo.

As apresentações destacam, em ritmo de toadas, as danças das tribos indígenas, inspiradas nas lendas e nos rituais sagrados. Os Bois Bumbás representam de forma lúdica e criativa, os costumes, hábitos e tradições das culturas da Amazônia por seus índios e seus caboclos, despertando grandes emoções e euforias, tanto do público presente no espetáculo, quanto dos componentes dos Bois: Malhadinho (cores: azul e branco) e Flor do Campo (cores: vermelho e azul).

Coube a Goiás a difícil tarefa do julgamento. Praticamente, incomunicáveis e sob escolta de dois seguranças, as juízas: esta que aqui escreve, a musicista Fátima Paraguassú e a atriz Tetê Caetano, (sob o convite da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira - AGEPEL, por sua presidenta Linda Monteiro e sua Assessora Especial de Projetos, Inah Maria Rolin César), tiveram sob olhares atentos e encantados, uma das mais belas representações da cultura de um povo - o seu folclore – o nosso folclore brasileiro: a lenda do Boi Bumbá. A leitura que cada Boi faz de seu mito é emocionante. O carinho, a seriedade e a ética com que as associações se tratam, apesar da rivalidade, é algo extraordinário. O Boi Bumbá adversário, que nunca é chamado pelo nome, é referido sempre como o Contrário. Os Bois tem duas horas para desenvolver seu tema, numa arena lotada, dividida ao meio: metade azul e branco e metade vermelho e branco. E assim, no centro da arena, centenas de pessoas em várias tribos desenham no espaço, coreografias e cenas que colorem e encantam os olhos e arrepiam os poros dos olhares atentos, fixos no brilho dos personagens que compõem a história e o roteiro da apresentação.

O Boi Bumbá Malhadinho com o tema Guaporé Mito, Cultura e Arte foi o vitorioso deste ano (agosto de 2008) e dos três anos anteriores. Com pequena diferença de pontos, sagrou-se campeão, para desespero do adversário Flor do Campo, que defendeu, com grande beleza o tema: O Nosso Ouro é Vermelho. Tanto um quanto o outro, são importantíssimos para a bela Guajará-Mirim, cujas crianças, jovens e adultos vivem sua cultura, preservando a história e as tradições de seu povo, com orgulho e entusiasmo, pois “a cultura é o que fica depois de se esquecer tudo o que foi aprendido.”

MALHADINHO

Que belo Boi da história!
Revive o Malhadinho,
acorda para a eternidade
o folclore de Guajará-Mirim.

O azul do perene infinito
se faz presente no olhar.
E toda a metade inteira
se curva ao seu Boi Bumbá.

O Contrário se cala ao ver
o brilho azul a dançar.
Em êxtase percebe que:
só é feliz com o rubro Bumbá.


FLOR DO CAMPO


Flor do Campo é o encanto
de toda a fronteira mestiça.
Sangra de ouro vermelho
traduz lendas e mitos.

De rubra cor se veste
o mamoré Guajará.
E a verde amazônia enrubesce
ao ver o seu Boi Bumbá.

A lua de cheia envaidece.
O céu mais belo não há.
Assim a metade Mirim
se curva ao seu Boi Bumbá.


Namastê!

NERUDA - O INQUILINO DE ISLA NEGRA



Neruda Escreveu em sua Ode ao Livro: “Livro, quando te fecho / abro a vida”. Ler Neruda. “...é trafegar, com o espírito de um viajante sem destino, por essa fronteira de mão dupla, livro e vida, vida e livro, que estamos sempre a fechar e a abrir”. Afirma Jose Castellano na Antologia Poética de Pablo Neruda.

Poeta da inconstância, do movimento, do susto e da intensidade, sem máscaras ou heterônimos multiplicou-se em vários. Destrinchou a inesgotável condição humana, num reflexo de imagens fragmentadas, volúveis e uma inquietude que tão bem representa no seu fazer poético. Não oferece opção ao leitor: ou mergulha inexoravelmente em sua poesia, de difícil acesso, ou não a terá verdadeiramente ao alcance.

Pablo Neruda nasceu em 1904, foi batizado de Neftali Ricardo Reys, mas em todos os seus livros sempre constou Pablo Neruda. Nome que se oficializou e se tornou verdadeiro, em 1946, quando já contava com 42 anos de idade. Seu nascimento se deu em uma pequena cidade ao sul do Chile, chamada Parral. Mas foi em Isla Negra, uma cidade na costa central do Chile, que após viajar pelos quatro cantos do mundo, que encontra o seu canto, junto ao oceano, inadvertidamente chamado de pacífico, para se instalar com sua terceira e última esposa Matilde e permanecer para além de seus dias.

Neste santuário poético tive o prazer de pisar os pés, mergulhar em seu mundo, conhecer a sua casa: o Museu Pablo Neruda. Uma magnífica habitação onde prevalece a presença de seu dono: as lembranças de sua infância, a fantasia, o humor e acima de tudo o mar, um de seus temas preferidos. A história de cada peça é muito bem relatada pelos cicerones que acompanham as comitivas de visitantes. Era ali que o poeta passava a maior parte do tempo escrevendo, sistematicamente nas madrugadas, em seus cadernos de desenhos, sentado na escrivaninha que pertenceu ao seu pai, José del Carmen Reyes. Os olhos encantados pelo mar, quando a lua resolvia o oceano clarear. Todos os aposentos têm visão para o oceano. Suas “paredes” de vidro, voltadas para a costa, são lentes transparentes que fitam o mar e o infinito.

A casa reflete o universo humano e poético de Neruda, suas infindáveis coleções o mantinham em constante elo com sua trajetória de vida, sendo quase sempre temas de seus poemas. São estátuas de proa, onde cada uma é personagem viva de suas histórias, veleiros dentro de garrafas trazidas de diferentes partes do mundo, estribos de várias localidades do planeta, mais de seiscentas peças de caracóis marinhos de todos os tamanhos, cores e variedades, instrumentos antigos de navegações e um cavalo de madeira de tamanho natural, trazido da cidade berço de sua infância. Fez-se necessário a construção na casa de mais um quarto, para abrigá-lo.

Aliás, a casa consumiu trinta anos para sua conclusão. À medida que aumentavam suas coleções, se sentia obrigado a ampliar um pouco mais sua residência. Há uma parede revestida de lápis lazúli, pedra azul de beleza extraordinária, que só existe no Chile, no Afeganistão e em Burma na Ásia.

A amizade, tema sempre presente em sua obra, (depois do amor, é o preferido do poeta), mereceu destaque também em sua casa. O bar é o local dedicado aos amigos. Enquanto os presentes se reuniam junto ao balcão, os ausentes (mortos) eram homenageados com seus nomes nas vigas do teto. Na entrada duas fotografias, de dois grandes amigos: Federico Garcia Lorca e Alberto Rojas Gimenes.

Assim como a visão do mar oferece uma perspectiva fundamental para perceber e compreender a evolução do poeta ao leitor atento, a sua atitude diante da amizade é também de grande importância. Ele mergulhava em uma destruição geral quando o tema surgia verdadeiro: a morte de um amigo. Neruda em Barcelona é informado da morte de seu grande amigo Rojas Gimenez e transcreve para a poesia uma visão quase surrealista da perda:

“Ouço as tuas asas e o teu lento vôo,
e a água dos mortos me bate
como pombas cegas e molhadas:
vens voando.

Vens voando, sozinho solitário,
sozinho entre mortos, para sempre sozinho,
vens voando, sem sombra e sem nome,
sem açúcar, sem boca, sem roseiras,
vens voando.”

O poeta como a pressentir a morte trágica, por fuzilamento do amigo Federico García Lorca, obcecado que era por manifestações antecipadas do cotidiano da morte, dedicou a ele poema elegíaco, quando o poeta espanhol estava ainda em pleno apogeu poético:

“Se pudesse chorar de medo numa casa sozinha,
se pudesse arrancar-me os olhos e comê-los,
fá-lo-ia pela tua voz de laranjeira enlutada
e pela tua poesia que sai dando gritos”...

Neruda viveu sem rótulos, avesso a erudição, possuía grande apego aos que se sentiam à margem da sociedade. Creditava o amor à natureza ao seu fazer poético. Sentiu-se poeta antes mesmo de perceber sua vocação. Sempre fiel aos seus temas: natureza, amigos e amores, afirmou que “um poeta deve ser um mito”. E tornou-se um mito. E o mito jamais morre.

Em 1971 ganhou o prêmio Nobel de literatura. No início da primavera de 1973 veio a falecer. Seu corpo ficou onde ele sempre quis estar: junto a sua casa e o mar, ao lado de sua Matilde (1912 – 1985). Às águas escuras do pacífico deitou seu corpo a contemplar o mar. Ficou para sempre no encantamento do mar amado. O túmulo é mais um espaço para o visitante se encantar com o bravio oceano de Isla Negra e testemunhar o perene descanso de um mito, que para sempre viverá no universo poético de nossa alma.

Namastê.

JOSÉ MENDONÇA TELES O MIDAS GOIANO


Para Pablo Picasso “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol” José Mendonça Teles é assim: de uma fatura vencida de energia elétrica, conseguiu, quando Presidente, uma nova sede para o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A Profª. Terezinha Viera dos Santos, então secretária estadual de Educação, na Gestão do Governador Maguito Vilela, ao ser solicitada para quitar conta, ofereceu uma nova sede ao Instituto. Construíram um novo e amplo espaço para o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, sendo concluído e mobiliado pelo Governador Marconi Perillo, com o apoio do Dep. Federal Vilmar Rocha. Bariani Ortencio quando se refere ao Mendonça Teles, o chama de o Midas de Goiás: ao seu toque tudo se transforma em ouro.

Pesquisador, historiador e cronista, José Mendonça Teles é um dos maiores defensores do Patrimônio Histórico de Goiás. Foi coordenador do Projeto Resgate, conseguindo trazer do Arquivo Ultramarino de Lisboa, a documentação histórica de Goiás referente ao período de 1750 a 1822. Recebeu inúmeras medalhas e comendas do Governo do Estado de Goiás pelos serviços em prol da cultura goiana. É detentor da Medalha João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras. Foi-lhe outorgado o título de Dr. Honoris Causa da Universidade Católica de Goiás, onde lecionou por mais de 34 anos. É o autor de mais de 30 obras e da letra do Hino oficial de Goiás, cuja melodia é do excelente compositor e maestro Joaquim Jaime.

A letra do Hino de Goiás é uma ode ao Estado que tanto tem recebido de seu ilustre filho. É um hino novo, oficializado em 12 de setembro de 2001. Carece maior divulgação para que seja executado em instituições e nas escolas do Estado.

HINO DE GOIÁS

Santuário da Serra Dourada
natureza dormindo no cio,
Anhanguera, malícia e magia,
bota fogo nas águas do rio.

Vermelho, de ouro assustado,
foge o índio na sua canoa.
Anhanguera bateia o tempo:
- Levanta, arraial Vila Boa!

Terra querida,
fruto da vida,
recanto da paz.
Cantemos aos céus, /
regência de Deus, / Bis
louvor, louvor a Goiás! /

A cortina se abre nos olhos,
outro tempo agora nos traz.
É Goiânia, sonho e esperança,
é Brasília Pulsando em Goiás!

O cerrado, os campos e matas,
a indústria, gado, cereais.
Nossos jovens tecendo o futuro,
poesia maior de Goiás!

Terra querida,
fruto da vida,
recanto da paz.
Cantemos aos céus, /
regência de Deus, / Bis
louvor, louvor a Goiás! /

A colheita nas mãos operárias,
benze a terra, minérios e mais:
- O Araguaia dentro dos olhos,
eu me perco de amor por Goiás!

Terra querida,
fruto da vida,
recanto da paz.
Cantemos aos céus, /
regência de Deus, / Bis
louvor, louvor a Goiás! /


Miguel de Cervantes, no século XVII se apresenta em seu auto-retrato, no livro Novelas Exemplares. Podemos ver José Mendonça Teles, por ele mesmo, no livro Amor Diário, com o poema:

RETRATO 3X4

Falar de mim, você me pede.
Então vá lá, querida, anote:
canhoto, nem baixo, nem alto,
sofrido coração, decifra o mote.
Meus olhos castanhos e claros,
poeta, um sentimentalista.
Amo as mulheres, quem não as ama?
Faço minhas artes, sem ser artista.
Meu fraco é a noite, de estrelas,
e o eterno amor, com muita ânsia.

- Um menino grande buscando
a eternidade da infância.
Sou assim, nada vai mudar.
O destino espalmado na mão.
- Um romântico inveterado
acasalando enorme coração.

Nelly Alves de Almeida escreveu no prefácio de Encantamento: “Contista, historiador, cronista, José Mendonça Teles mostra-nos, agora, nova face: é também poeta e faz-nos ver que, para ele, a poesia é necessidade inerente à sua alma de inspirado.” E ainda: “Sua arte define-se como catarse, que lhe traz a sensação de realizá-la plenamente e, nesse estágio, sabe engrandecer sua força expressiva.”

Segundo Ezra Pound, citada por Nelly: “A mais condensada forma de expressão verbal, a boa poesia, faz-se pela escolha das palavras que lhes exaltam a forma e condensam a mensagem.” Diante disso, ela afirma que Mendonça Teles constrói sua obra com simplicidade, conseguindo expor seu pensamento poético com cumplicidade e inquietação no seu tempo presente, que vislumbra uma única direção: ao futuro incerto, ou seja, ao fim eminente.

RETORNO

...Dormi dormindo acordado
com os olhos abertos no tempo
Voltei nas asas das horas
e chorei a velhice da infância.

Na visão do crítico literário José Fernandes, no prefácio de Quando os Flamboyants Florescem: “A imagem é cifra da condição humana”. Ele afirma que algumas vezes, é através dela que a literatura, consegue revelar conflitos inerentes à condição humana, diz ainda: é assim com a poesia moderna contemporânea de qualidade. E finaliza: é da mesma forma com a produção poética de Mendonça Teles, nela a condição humana é permeada pelo tempo e pela força do ser. O tempo é o mediador das horas, à medida que passa, suga os pedaços do ser, fragmentados ao longo do caminho. Pedaços que seriam recuperados metafisicamente, se eternizados pela poesia. Como bem demonstra o poema:


CONTEMPLAÇÃO

Olhei fundo nos meus olhos,
vi que o tempo
tem um fim.
Fui lá dentro
chorar a infância.
- Fechei a porta de mim.






Oscar Bertholdo (1935 – 1991) saudoso poeta contemporâneo um dos mais expressivo do Rio Grande do Sul se referindo a Mendonça Teles, escreveu: “... Em todos os seus poemas há uma poesia de transparência, você escreve sem pretensões de massacrar. Tudo espontâneo. Poesia que chega de mansinho e que não sai da gente.”
José Mendonça Teles é assim: chega de mansinho e fica. Deixando-nos um legado de permanência, não só através de seus livros que conservam memórias, como também na presente lembrança de sua imagem dinâmica, solidária, sensível e sincera. Matizando a vida de serenidade e humor para convertê-la em bela experiência eternizada nas retinas e no tempo, de quem tem a alegria e o privilégio de sua contemporaneidade, compartilhando o aqui – agora, compondo os nossos dias para valerem lembranças, desta efêmera e fugaz existência.





Namastê.

GOIÂNIA EM PLÁCIDO OLHAR



Elizabeth Caldeira Brito



Goiânia, a nova capital do estado se ergue, tendo como bagagem a herança das tradições históricas e culturais de Vila Boa, mesclando modernismo, conhecimento, cultura e visão desenvolvimentista trazidos pelos construtores que aqui chegaram, oriundos principalmente da antiga capital, para fincarem raízes e contribuir para o surgimento da princesa do cerrado, a jovem capital do Estado de Goiás. Com apenas sete décadas e meia, Goiânia alcança o patamar de metrópole e o título de cidade de melhor qualidade de vida do país. Os heróis pioneiros que aqui chegaram entre 1933-1938 se depararam com uma capital mergulhada num canteiro de obras. Uma cidade em construção. Eram intelectuais do poder político, profissionais liberais, pessoas da culta ou semi-culta burocracia, que acreditaram num sonho e construíram a realidade: uma capital moderna, pulsando o coração no cerrado.

A sensibilidade que acompanha o povo goianiense se fez presente desde os primórdios de sua existência. Goiânia não foi inaugurada, teve seu Batismo Cultural no dia 05 de julho de 1942. A idéia da transferência da capital do estado, da antiga Vila Boa, hoje Cidade de Goiás, (reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO), para Goiânia, foi iniciada em 1891 em texto constitucional, sendo ratificada na reforma de 1898. Só muito depois, em decreto de 1932, a idéia foi concretizada por Pedro Ludovico Teixeira. No dia 24 de outubro de 1933 foi realizado o lançamento de sua pedra fundamental.

Goiânia conserva ainda o jeito e a gente amável das urbes interioranas. É a capital das flores, possui o maior número de praças do Brasil, é a 2ª mais arborizada do nosso País, se destaca na música, nas artes plásticas e na poesia. É reconhecida pela amabilidade, cordialidade, simpatia e beleza de seu povo.

Plenamente atuante no processo cultural nacional e internacional, especialmente na literatura, onde o ideário e as tendências do modernismo são alinhavados, com o olhar maestro de quem, na batuta das palavras, metáforas e idéias, traduz o universo e leva seu nome, sua história e sua cultura a vários países da América Latina e a outros tantos da Europa.

Goiânia reflete primavera em qualquer estação. Seu espaço abraça encontros de sensibilidade, criatividade e encantamento. Os poetas cantam, se encantam e se surpreendem com a cidade-musa. Da poetisa Heloisa Helena de C. Borges:

...”O Vento, a vadiar pela paisagem,
revira a terra, dá frescor ao sol,
redemoinho rubro abre passagem,
correndo pelo ar em caracol”...


Da escritora Alice Spindola:
...”Abertas janelas
recebem o perfume e o som
da canção que os pássaros dedilham
nas cordas esticadas nos postes.
Martelos-construtores de acordes
completam a melodia.”...

Da poetisa Maria da Glória Mariano:
...”Tropeiros procuram campos,
traçam trilhas, desbravam cerrados,
no coração do Brasil.
Nasce Goiânia, cidade sol.
Pioneiros em cidades troncos,
migram amores, projetos.
Flores distantes.
Quantos sonhos... Dores.”...

A poetisa Therezinha Miranda versa um brinde à cidade:
...”Bendito é o meu ventre,
que a todos acolhe.
E aquele que vem
experimenta pequi.
Num brinde de versos
aponto o caminho
e ao caro chegante digo:
Seja feliz por aqui.”

A imortal Lêda Selma assim a descreve:
...”Balzaqueana-menina,
de pele sempre suada,
Goiânia das madrugadas,
da irradiação de amores,
Dos sonhos azuis, viajores,
dos humores de poesia.”...

Goiânia vai avançando em seu tempo:
...Hoje vertiginosa metrópole,
capital da beleza e flores.
Artérias entupidas de carros
apressados, resguardando amores.

[...] cuidando presente e futuro.
Nem me dei por tamanha mudança!
- Onde perdi minha infância?
- Em que espaço ficou meu ar puro?

À administração que se consolida em boa gestão, pela reeleição para novo mandato, urge providências, especialmente no que se refere ao direito do cidadão de ir e vir com respeito e dignidade. Goiânia e seu povo merece, carece e anseia.


Namastê.